Misto XV

Sem título

Passeio misto de sessenta km no feriado da República. Eu, Eliane e Ricardo partimos às sete horas da manhã, direção Torre e Cidade Universitária. No ponto de encontro combinado, Rodolfo não estava, havia perdido a hora, seguimos. Passarela do Colégio Militar e BR-232, depois TIP, Curado, 232 e paramos no posto de gasolina de Santo Aleixo. Edson, que havia combinado, também não apareceu. Água e refrigerantes e seguimos pela estrada de terra de Manassu, próximos de Duas Unas. Estradas tranquilas e arborizadas, subidas medianas, sem grande dificuldade. Descemos no bosque de eucaliptos e pegamos a estrada de terra de Queira Deus e Muribara, desembocando na BR-408. Seguimos para São Lourenço e começamos o retorno, Camaragibe e Várzea, parada na água de coco da praça. Engenho do Meio e decidimos passar na casa nova de Ruy. Ele estava lá ocupado com ob ras e ajustes. Fomos para o Mercado da Madalena, Bar do Artur, onde degustamos a excelente fava frita com queijo coalho e carne de sol, Heinekens e cachaça Baraúna. Depois Torre e casa e banho e fim.

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31.8.18 – Compra das bicicletas em Bordeaux – 25 km

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Um dia de bastante trabalho. Bom café da manhã no Ibis e saímos a pé. Pegamos o bonde na avenida da margem do rio Garonne e descemos bem pertinho da Decathlon Bordeaux Lac, na qual eu sabia que haveria as bicicletas, já vira no site. Experimentamos alguns tamanhos das bicicletas, o modelo a gente já sabia, era o mesmo que compráramos no ano anterior na Decathlon de Roma. Bicicletas Rockrider 340, com 21 marchas, aro 26, freios V-brake, uma bicicleta sólida e confiável, adequada para carregar nossos alforjes, elas têm furação para bagageiro e nós levamos do Brasil nossos selins, pedais e bagageiros. Escolhidas as bicicletas, fizemos a compra, sem esquecer de pegar o formulário de “tax free”, para poder receber de volta parte do IVA, no aeroporto de volta ao Brasil.

O trajeto do dia:

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No lado de fora da Decathlon, colocamos nossos selins nas três bicicletas. Na de Eliane, fiz também a troca da mesa, visto que Eliane não gostava da mesa original e preferia uma mesa mais elevada. Voltamos para o centro de Bordeaux pedalando pela margem do Garonne, uma grande esplanada que é totalmente dedicada a pedestres e ciclistas. Fizemos um passeio pelo centro e pela famosa Pont de Pierre, depois fomos almoçar em um dos restaurantes da esplanada do Garonne. Como todos os nossos almoços da viagem, sempre acompanhados de cervejas e vinhos. De fato, penso que alcançamos uma boa média de cerca de duas garrafas de vinho por dia.

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Depois do almoço, mais tarefas necessárias à viagem. Na Maison du Pelerin Bordeaux Compostelle, o albergue de peregrinos de Bordeaux, pegamos nosso primeiro carimbo (tampon) na credencial e compramos nossas vieiras, um dos símbolos da peregrinação. Em seguida, fiz uma pesquisa nas principais empresas de telefonia e comprei três SIM cards para nossos celulares na Free, por 30 euros cada, para utilização durante um mês. Mais alguns vai e vem pelo centro histórico e voltamos ao hotel para cuidar da preparação das bicicletas.

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O Ibis Meriadeck dispõe de estacionamento subterrâneo e foi lá que trabalhamos na preparação das bicicletas. Instalamos bagageiros e verificamos a fixação dos alforjes. Na minha bicicleta, instalei também bagageiro dianteiro, bar ends e retrovisor. Na minha e na de Eliane, colocamos bandeiras do Brasil, isso é muito bom pois facilita a conversa com habitantes locais e com brasileiros pelo mundo, além de chamar a atenção dos veículos, aumentando a segurança.

À noite, ainda passeamos um pouco e experimentamos vinhos e comidinhas na parte antiga da cidade.

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30.8.18 – Chegada a Bordeaux

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Como sempre na ida para a Europa, os voos cansativos, a diferença de fuso horário, a gente chega meio azuretado. Na frente do aeroporto, compramos o bilhete do ônibus. O aeroporto de Bordeaux fica fora da cidade, distante uns quinze quilômetros. O dia estava quente, cinco horas da tarde, o ônibus tem uma parada na frente do hotel, por engano a gente desceu uma parada antes. No Hotel Ibis Meriadeck, deixamos as bagagens e saímos para passear pelo centro histórico, ali bem pertinho. Esse Ibis é muito bem localizado.

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Eu e Eliane já conhecíamos Bordeaux pois iniciamos lá a cicloviagem pelo Canal de Garonne e Canal du Midi. Para Ruy, era novidade. Visitamos a bela parte histórica, fomos até a margem do Garonne, o famoso espelho d’água da Bolsa. Por fim, jantamos na Crêperie La Parenthèse, que serve ótimas galettes sarrasin bretãs acompanhadas da tradicional sidra servida naquele tipo de xícara típico da região da Bretanha.

29.9.18 – Retorno ao Recife

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29 de setembro de 2018, sábado. Dia de pegar o avião e voltar ao Recife. De manhã, terminamos a organização e embalagem dos alforjes. Recebemos, na portaria do Hotel Paulista, duas garrafas de vinho do Douro que Nelson e Cila, os novos donos das nossas bicicletas, deixaram de presente. Era um presente um pouco inadequado porque não poderíamos levar na bagagem de mão e poderia quebrar se colocássemos nos alforjes.

De todo modo, levamos conosco para o aeroporto. No dia anterior, háviamos encomendado um transfer com o dono do hotel. A van chegou no horário e nos levou com nossos alforjes e a bicicleta embalada de Ruy. Apesar da pontualidade, era uma van envelhecida, diferentemente de outros transfers que já encomendamos, geralmente veículos novos.

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No aeroporto, fizemos os procedimentos de “tax free”, para receber de volta o IVA da compra das bicicletas. Fizemos o check-in e a atendente da TAP sugeriu que embarcássemos uma hora mais cedo, bom para nós, aceitamos. De acordo com o site da companhia aérea, para transportar a bicicleta existe uma taxa de cem euros. Amigos nossos já tiveram que pagar essa taxa. Por sorte, a atendente não cobrou a taxa pela bicicleta de Ruy. Talvez porque a gente conseguiu fazer um pacote compacto, ou porque não usamos caixas, apenas o filme plástico.

Depois de tudo encaminhado, fomos fazer um lanche em um restaurante do aeroporto. Lá, o atendente abriu para nós uma das garrafas de vinho que ganhamos de Nelson e Cila. Brindamos com este vinho o sucesso da viagem.

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Embarcamos para Lisboa e de lá para o Brasil. Viagem maravilhosa em excelente companhia. Tudo funcionou.

Gracias y buen camino!

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28.9.18 – Porto e Vila Nova de Gaia

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28 de setembro de 2018, sexta-feira. Neste dia não teve passeio de bicicleta. As bichinhas ficaram na garagem do Hotel Porto Rico, um hotel perto daquele em que nos hospedamos, o Hotel Paulista, e pertencente ao mesmo proprietário.

O Hotel Paulista é bem localizado, o quarto era bem grande e com janelas para os Aliados, e foi indicação do peregrino Oswaldo Buzzo. Contudo, o café da manhã foi muito fraquinho e achei o atendimento antipático desde o primeiro momento.

A primeira providência do dia foi cuidar das bicicletas. Eu e Eliane havíamos decidido não levar as bicicletas para o Brasil, já temos bicicletas suficientes. Inicialmente, telefonei para uma loja de aluguel de bicicletas e eles disseram que poderiam comprar as nossas. Fomos ao estacionamento do Hotel Porto Rico para retirar bagageiros e selins das bicicletas e levá-las para vender.

Contudo, o recepcionista daquele hotel, Nelson, elogiou as bicicletas e disse que o salário dele não permitiria nunca comprar uma bicicleta daquelas, embora de fato fosse uma bicicleta simples e relativamente barata. Assim, eu decidi dar a minha bicicleta para o Nelson, e Eliane, então disse que eu doasse a dela também. Entretanto, o Nelson já havia ido embora do hotel quando o procurei e só voltaria à noite. Deixamos para resolver a doação à noite.

Então, nosso companheiro de viagem, Ruy, iria levar a bicicleta dele para o Brasil, portanto desmontamos a bicicleta dele: retiramos as duas rodas, retiramos o guidão e os pedais, embalamos tudo separadamente com filme plástico de cozinha, e depois tudo junto ao quadro, de forma a fazer uma embalagem o mais compacta possível. Finalizada a embalagem, levamos o pacotão para nosso quarto no Hotel Paulista.

Depois de resolvida essa parte, saímos para passear e curtir nosso último dia de viagem. Cruzamos novamente a impressionante Ponte Dom Luís I até Vila Nova de Gaia. Pegamos o teleférico e descemos para o Cais de Gaia na margem do Douro.

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O bilhete do teleférico dá direito a uma degustação de vinho do Porto na cave da Quinta de Santa Eufêmia e fomos até lá. Passeamos pelo cais e compramos os bilhetes para a visita guiada com degustação de vinho do Porto das caves Sandeman. As visitas são com hora marcada e cada cave tem os seus próprios horários. O horário oferecido pela Sandeman era apropriado para nós, ainda dava tempo para passear e almoçar no Cais de Gaia. Almoçamos no restaurante Beira-Rio, na margem do Douro, com a vista da cidade do Porto no outro lado, bacalhau, polvo e vinho verde da uva alvarinho.

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A visita guiada na cave Sandeman foi boa, o guia explicou o básico necessário para entender um pouco mais daquele tipo de vinho. Durante a degustação, conversamos com um português que morava na África do Sul e estava ali com a mulher e a filha para apresentar a elas o vinho do Porto.

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Gastamos o restante da tarde batendo perna pela cidade, fomos até a Catedral da Sé para carimbar as nossas credenciais com o derradeiro carimbo, e em especial fomos admirar a Igreja de Santo Ildefonso que tem a fachada recoberta de azulejos. Anoiteceu, fizemos um lanche e voltamos ao Hotel Porto Rico para resolver o caso das bicicletas.

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Subimos e perguntamos ao recepcionista Nelson se ele gostaria de ficar com as nossas bicicletas. Ele ficou surpreso, evidentemente. Ele estava, naquele momento, acompanhado de uma camareira, Cila, e ela disse que adoraria ganhar uma das bicicletas para poder pedalar em sua vila, no interior do país. Então, resolvido, uma bicicleta para cada um. Eles ficaram extremamente felizes, nem acreditavam no presente, de início. Por fim, voltamos para o Hotel Paulista e preparamos os alforjes para o voo do dia seguinte.

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27.9.18 – Esposende – Porto – 70 km

O trajeto e a altimetria da etapa:

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Dia 27 de setembro de 2018, quinta-feira. Distância: 70 km. Nível do mar. Inclinação máxima: 14%. Hora de partida: 9:09h. Hora de chegada: 15:19h. Velocidade máxima: 31 km/h. Velocidade média: 15 km/h.

Etapa plana, nível do mar. Partimos do Hotel Suave Mar em Esposende pela beira-rio, cruzamos o rio Lima e seguimos para perto do mar em Fão. Era uma estrada calma de paralelepípedos. Há muitas estradinhas de paralelepípedos nesta região, era bastante chatinho de pedalar. Na Praia de Apúlia, observamos os pescadores chegando com peixes em seus barcos e já vendendo no mercado à beira-mar.

Depois de Apúlia, tentamos seguir perto do mar mas a estrada quase desaparece em areia fofa, daí saímos em busca da rodovia N-13. Continuamos por até que entramos para o litoral na cidade de Aver-o-mar. Seguimos pelas avenidas das praias, e é um trecho ótimo, com ciclovias à beira-mar entre as três cidades que são emendadas: Aver-o-mar, Póvoa de Varzim e Vila do Conde. Passamos lentamente curtindo estas três cidades, suas praias e calçadões.

Contornamos o Forte de São João e subimos a beira-rio de Vila do Conde, bela cidade, com sua Nau Quinhentista, uma caravela, e o Mosteiro de Santa Clara.

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Cruzamos o rio Ave e abandonamos a N-13, seguindo por estradinhas rurais de paralelepípedos até Labruge, onde descemos novamente até a praia. Fizemos uma parada de abastecimento na praia, cerveja, suco e café no bar O Banheiro. De Labruge em diante, seguimos à beira-mar por avenidas tranquilas quase sempre com ciclovias, algumas construídas em passarelas de madeira.

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Em Leça da Palmeira, cruzamos o rio Leça e chegamos a Matosinhos. Daí em diante, por ciclovia alcançamos a Foz do Douro. Subimos o rio Douro, passamos pela Ponte da Arrábida, fascinados, claro, com a beleza do rio e da cidade. Enfim, aportamos na famosa Ribeira do Douro, bairro do centro histórico do Porto, na margem do rio, de frente para a magnífica Ponte Dom Luís I.

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De minha parte, não senti a melancolia do último dia de pedal, estava feliz pela conquista e por uma viagem tão grande, tão fantástica, sem quaisquer incidentes, só alegria, esforço e vitória. Almoçamos ali na Ribeira, no restaurante O Terreiro, com a bela vista da ponte, do Douro, dos barcos rabelos e de Vila Nova de Gaia na outra margem do rio. O almoço excepcional, bacalhau, porco, vinho verde, cervejas, e empanzinados empurramos as bicicletas ladeira acima, subindo para a Avenida dos Aliados, até o Hotel Paulista no qual nos hospedamos.

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O quarto que nos deram era muito bom, grande, quatro camas, janelas para a Câmara Municipal do Porto. Contudo, o hotel não dispunha de estacionamento para bicicletas e tivemos que levar as bicis para outro hotel ali perto. À noite, passeamos por sobre a Ponte Dom Luís I até Vila Nova de Gaia, descemos para a Ribeira e encerramos a noite bebericando e beliscando em um bar na margem do Douro. Perfeito.

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26.9.18 – Valença – Esposende – 79 km

O trajeto e a altimetria da etapa:

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Dia 26 de setembro de 2018, quarta-feira. Distância: 79 km. Nível do mar. Inclinação máxima: 6%. Hora de partida: 9:01h. Hora de chegada: 14:52h. Velocidade máxima: 39 km/h. Velocidade média: 16 km/h.

Etapa plana, ao nível do mar. Partimos do Hotel Lara em Valença e descemos na direção do rio Minho para seguir pela excelente Ecopista do Minho, uma fantástica ciclovia que acompanha o rio, perfeita, embora com alguns pequenos trechos de terra.

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Pouco antes de São Pedro da Torre, a sinalização da ciclovia é falha ou eu não compreendi e seguimos por dentro do vilarejo, retornando à Ecopista logo adiante. A ciclovia foi muito bem executada e ainda tem ao lado a ampla paisagem do rio, seus barcos e ilhas, a Espanha na outra margem. A Ecopista termina em Lanhelas e dali seguimos pela N-13 que é segura para ciclistas, embora os motoristas portugueses não se afastem tanto das bicicletas quanto os espanhóis e franceses. Portugal precisa imitar seus vizinhos.

Cabe observar, também, que todas as pontes que cruzamos em Portugal são ruins para pedestres e ciclistas: calçadas estreitas, mal cabem um pedestre, sem faixa para bicicletas e motoristas menos cuidadosos. Na localidade de Seixas, a ciclovia reaparece mas acaba logo e voltamos à rodovia.

Em Caminha, na foz do Minho, breve parada para admirar a paisagem e para a despedida do rio. Dali seguimos pela N-13 até Fontelas e então pegamos uma estrada vicinal mais próxima do mar. Na localidade de Praia da Âncora paramos brevemente para admirar o Oceano Atlântico e abastecer de água. Seguimos pela N-13 até que entramos novamente para a beira-mar na Praia Norte.

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Passamos lentamente por Viana do Castelo, admirando a beira-mar, a beira-rio, o centro histórico. Foi engraçado que na chegada à Viana do Castelo, Eliane disse que estava já desligando o turbo, retirando potência dos motores, pois pensava que seria ali nosso pouso. Contudo, eu havia avisado desde o dia anterior que a gente ia dormir em Esposende. Então, foi necessário reativar os motores na potência de cruzeiro e seguir.

Ainda em Viana do Castelo, perto do centro antigo, um habitante nos chamou para conversar. Era um marinheiro aposentado que já havia trabalhado inclusive no Brasil. Contou um pouco de sua vida, dos motivos que o levaram a se aposentar, da valorização do centro antigo da cidade e da vida pacata que levava.

Cruzamos o rio Lima e seguimos por estradas locais menos movimentadas até encontrar novamente a N-13. Seguimos por ela até Lugar da Igreja, onde entramos para Cepães e logo chegamos no Farol de Esposende, na foz do rio Cávado.

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Seguimos pela beira-rio de Esposende e passamos por um hotel que me chamou a atenção, perguntei aos companheiros se queriam tentar hospedagem alé, mas preferiram ir até o centro. Lá perto do centro telefonei para diversos albergues e hotéis e não havia quarto disponível. Contudo, no hotel anterior onde eu sugerira havia um quarto para nós e voltamos para lá.

Era o Hotel Suave Mar, nos hospedamos, guardamos as bicicletas e fomos para o restaurante do hotel, que estava encerrando a atividade para almoço. Uma atendente do restaurante sugeriu que a gente almoçasse em um café na esquina, fomos para o café Marine Lounge, ao lado do hotel. Apesar de bem simples, o atendimento foi simpático e a comida, o vinho e a cerveja foram ótimos. Depois, passamos a tarde inteira na beira da piscina do hotel, lagarteando, contudo sem entrar na água gelada como fizeram alguns corajosos hóspedes.

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À noite, desfrutamos de um excelente jantar no restaurante do hotel, bacalhau, vinho verde, e uma sobremesa inesquecível: peras bêbadas. O maître descreveu como se faz essa delícia: 1 – Descasque as pêras mantendo o cabinho. 2 – Coloque o vinho tinto em uma panela em que caiba a fruta e adicione o açúcar, canela e cravos. 3 – Leve ao fogo, adicione as peras tomando o cuidado para que fiquem cobertas pelo vinho. 4 – Ferva até que as peras fiquem macias. 5 – Testar espetando um palito. 6 – Pode servir em cima de uma rodela de abacaxi, com a calda por cima.

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25.9.18 – Pontevedra – Valença – 52 km

O trajeto e a altimetria da etapa:

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Dia 25 de setembro de 2018, terça-feira. Distância: 52 km. Altitude mínima: 3 m. Altitude máxima: 162 m. Inclinação máxima: 8%. Hora de partida: 9:34h. Hora de chegada: 14:10h. Velocidade máxima: 33 km/h. Velocidade média: 15 km/h.

Etapa suave com algumas subidas. Seguimos pela N-550, muitas vezes com a bela vista da Ria de Vigo. Uma ria é um braço de mar que adentra profundamente na costa e que está submetido à ação das marés. As rias são características da costa da Galícia e recebem as águas de muitos rios que nelas desembocam, misturando a água doce com a água salgada.

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Nosso trajeto seguiu de perto a parte mais ocidental da Ria de Vigo e paramos algumas vezes para admirar e fotografar. Deixamos a rodovia para passar por dentro dos centros antigos de Redondela e de O Porriño. Depois desta vila, seguimos por tranquila e larga estrada asfaltada que atravessa o pólo industrial da região, e depois retornamos a N-550.

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Chegamos a Tui, última cidade da Galícia, cruzamos seu centro histórico e alcançamos com, grande alegria e entusiasmo, à Ponte Internacional sobre o rio Minho, o mesmo rio que a gente já havia atravessado em Portomarín. De um lado, nos despedimos da Espanha, e do outro recebemos as boas vindas de Portugal, um importante momento da viagem: a entrada no terceiro país do caminho.

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No lado português, fica a cidade-fortaleza de Valença. Fomos até o Hotel Lara, nos instalamos em um bom quarto e, depois do banho, fomos a pé para a fortaleza para passear e almoçar no excelente Solar do Bacalhau. Claro que pedimos bacalhau e vinho verde da uva alvarinho. Este restaurante foi indicação do peregrino Oswaldo Buzzo.

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Voltamos ao hotel para descansar e à noite fomos novamente ao interior da fortaleza. Infelizmente, e curiosamente, a vila é mortinha da silva à noite, nada da animação noturna de Pontevedra, tampouco da animação vespertina da própria fortaleza. Parece que os turistas só visitam a cidadezinha durante o dia. Pouquíssimas pessoas pelas ruas, todas as lojas fechadas, uma fortaleza fantasma. Tomamos algumas bebidas em um restaurante e voltamos para o hotel.

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24.9.18 – Santiago de Compostela – Pontevedra – 65 km

O trajeto e a altimetria da etapa:

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Dia 24 de setembro de 2018, segunda-feira. Distância: 65 km. Altitude mínima: 3 m. Altitude máxima: 297 m. Inclinação máxima: 10%. Hora de partida: 9:25h. Hora de chegada: 14:42h. Velocidade máxima: 54 km/h. Velocidade média: 15 km/h.

Etapa com sobe e desce embora com altimetria mais baixa visto que nos aproximávamos do litoral da Galícia. De agora em diante, a gente estava no Caminho Português ao contrário. Nos próximos dias, a gente encontrava os peregrinos indo para Santiago, e eles ficavam entre confusos e curiosos porque a gente ia no sentido “errado”.

A saída da área urbana de Santiago foi complicada. Eu tentei evitar uma via de tráfego intenso e que tem um túnel proibido para bicicletas, mas errei a navegação e entramos justamente na via inadequada. Então me reorganizei e saímos dessa via e seguimos por ruas internas, movimentadas e estreitas, mas com sinalização de preferência para bicicletas.

Enfim, alcançamos a rodovia SC-20, com acostamento e mais tranquila, apesar de que as cidades vizinhas de Santiago emendam-se umas nas outras e andamos muito tempo por zona urbana. Depois de O Miladoiro, seguimos a rodovia N-550 até a Igreja da Escravitude. Paramos na frente da igreja e cruzamos a rodovia para pegar água da fonte “milagrosa”. Conta-se que ali um homem com uma doença crônica bebeu a água da fonte e se livrou da “escravitude” da doença. Abastecemos as garrafas com água da fonte, a igreja estava fechada e deixamos a N-550.

Então, seguimos por estradas vicinais asfaltadas e tranquilas, cruzando com muitos peregrinos e tendo o prazer de ver diversos hórreos nos campos. Em breve, passamos por Iria Flavia e Padrón, que são pontos históricos e famosos do Caminho Português. Conta a lenda que o barco que trazia o corpo de Santiago aportou em Padrón. O barco foi atracado a uma grande, um pedrón, daí o nome da cidade por corruptela.

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Em Pontecesures, retornamos à N-550, chegamos em Caldas de Reis e entramos pelo centro histórico, mas acontecia uma feira de roupas, frutas e legumes e as ruas estavam atulhadas. Passei por um músico que tocava em uma das ruas, a música era “Samba de uma nota só”, então deduzi “brasileiro!” e fomos conversar um pouco com ele.

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Retornamos à N-550 e poucos quilômetros antes de Pontevedra deixamos a rodovia para seguir por ruas residenciais. Entramos em Pontevedra cruzando a ponte antiga sobre o rio Lérez. Subimos para o belo centro histórico da cidade, totalmente dedicado aos pedestres, e vimos alguns lugares legais para almoçar, já passava da hora, mas primeiro decidimos resolver a hospedagem.

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Por telefone, conseguimos um bom quarto no Hotel Virgen del Camino, fomos para lá e deixamos as bagagens e voltamos de bicicleta para almoçar no restaurante O Cruceiro, que nos agradara quando passamos por lá na ida ao hotel. Excelente comida, polvo e bacalhau e vinho verde da uva Alvarinho.

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Depois de banho e descanso, no final da tarde passeamos pelo fantástico centro histórico de Pontevedra, lugar animado, só pedestres, muitos bares e restaurantes e famílias inteiras pelas ruas, uma das cidades mais simpáticas do caminho. Visitamos a bela Igreja da Virgem Peregrina, cuja planta tem a forma de uma vieira e jantamos umas comidinhas leves com vinho verde alvarinho em um bar do centro antigo.

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