31.8.18 – Compra das bicicletas em Bordeaux – 25 km

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Um dia de bastante trabalho. Bom café da manhã no Ibis e saímos a pé. Pegamos o bonde na avenida da margem do rio Garonne e descemos bem pertinho da Decathlon Bordeaux Lac, na qual eu sabia que haveria as bicicletas, já vira no site. Experimentamos alguns tamanhos das bicicletas, o modelo a gente já sabia, era o mesmo que compráramos no ano anterior na Decathlon de Roma. Bicicletas Rockrider 340, com 21 marchas, aro 26, freios V-brake, uma bicicleta sólida e confiável, adequada para carregar nossos alforjes, elas têm furação para bagageiro e nós levamos do Brasil nossos selins, pedais e bagageiros. Escolhidas as bicicletas, fizemos a compra, sem esquecer de pegar o formulário de “tax free”, para poder receber de volta parte do IVA, no aeroporto de volta ao Brasil.

O trajeto do dia:

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No lado de fora da Decathlon, colocamos nossos selins nas três bicicletas. Na de Eliane, fiz também a troca da mesa, visto que Eliane não gostava da mesa original e preferia uma mesa mais elevada. Voltamos para o centro de Bordeaux pedalando pela margem do Garonne, uma grande esplanada que é totalmente dedicada a pedestres e ciclistas. Fizemos um passeio pelo centro e pela famosa Pont de Pierre, depois fomos almoçar em um dos restaurantes da esplanada do Garonne. Como todos os nossos almoços da viagem, sempre acompanhados de cervejas e vinhos. De fato, penso que alcançamos uma boa média de cerca de duas garrafas de vinho por dia.

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Depois do almoço, mais tarefas necessárias à viagem. Na Maison du Pelerin Bordeaux Compostelle, o albergue de peregrinos de Bordeaux, pegamos nosso primeiro carimbo (tampon) na credencial e compramos nossas vieiras, um dos símbolos da peregrinação. Em seguida, fiz uma pesquisa nas principais empresas de telefonia e comprei três SIM cards para nossos celulares na Free, por 30 euros cada, para utilização durante um mês. Mais alguns vai e vem pelo centro histórico e voltamos ao hotel para cuidar da preparação das bicicletas.

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O Ibis Meriadeck dispõe de estacionamento subterrâneo e foi lá que trabalhamos na preparação das bicicletas. Instalamos bagageiros e verificamos a fixação dos alforjes. Na minha bicicleta, instalei também bagageiro dianteiro, bar ends e retrovisor. Na minha e na de Eliane, colocamos bandeiras do Brasil, isso é muito bom pois facilita a conversa com habitantes locais e com brasileiros pelo mundo, além de chamar a atenção dos veículos, aumentando a segurança.

À noite, ainda passeamos um pouco e experimentamos vinhos e comidinhas na parte antiga da cidade.

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30.8.18 – Chegada a Bordeaux

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Como sempre na ida para a Europa, os voos cansativos, a diferença de fuso horário, a gente chega meio azuretado. Na frente do aeroporto, compramos o bilhete do ônibus. O aeroporto de Bordeaux fica fora da cidade, distante uns quinze quilômetros. O dia estava quente, cinco horas da tarde, o ônibus tem uma parada na frente do hotel, por engano a gente desceu uma parada antes. No Hotel Ibis Meriadeck, deixamos as bagagens e saímos para passear pelo centro histórico, ali bem pertinho. Esse Ibis é muito bem localizado.

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Eu e Eliane já conhecíamos Bordeaux pois iniciamos lá a cicloviagem pelo Canal de Garonne e Canal du Midi. Para Ruy, era novidade. Visitamos a bela parte histórica, fomos até a margem do Garonne, o famoso espelho d’água da Bolsa. Por fim, jantamos na Crêperie La Parenthèse, que serve ótimas galettes sarrasin bretãs acompanhadas da tradicional sidra servida naquele tipo de xícara típico da região da Bretanha.

29.9.18 – Retorno ao Recife

Dia de pegar o avião e voltar ao Recife. De manhã, terminamos a organização e embalagem dos alforjes. Recebemos, na portaria do Hotel Paulista, duas garrafas de vinho do Douro que Nelson e Cila, os novos donos das nossas bicicletas, deixaram de presente. Encomendamos um transfer para o aeroporto, a van chegou no horário e nos levou com nossos alforjes e a bicicleta embalada de Ruy. No aeroporto, fizemos os procedimentos de “tax free”, para receber de volta o IVA da compra das bicicletas. Fizemos o check-in e a atendente da TAP sugeriu que embarcássemos uma hora mais cedo, bom para nós, aceitamos. Depois de tudo encaminhado, fomos fazer um lanche em restaurante do aeroporto. Lá, o atendente abriu para nós uma das garrafas de vinho que ganhamos de Nelson e Cila. Brindamos com este vinho o sucesso da viagem. Embarcamos para Lisboa e de lá para o Brasil, tudo perfeito.

28.9.18 – Porto e caves do vinho

Neste dia não teve bicicleta. As bichinhas ficaram na garagem do Hotel Porto Rico, perto do nosso e pertencente ao mesmo proprietário. O Hotel Paulista é bem localizado, foi indicação do peregrino Oswaldo Buzzo, mas tem um café da manhã bem fraquinho, contudo o quarto em que ficamos era muito bom, grande, com cinco camas, e janelas que se abriam para os Aliados e a Câmara Municipal do Porto.

Passamos o dia pelas ruas, a desfrutar da beleza tripeira, passamos novamente pela Ponte Dom Luís I, descemos para Gaia pelo teleférico, visitamos caves de vinho do Porto, a Quinta de Santa Eufêmia e a visita guiada na Cave Sandeman, com degustação, almoçamos em um dos restaurantes da margem do Douro, em Gaia, com a bela vista do Porto no outro lado, bacalhau e vinhos verdes da uva alvarinho. Passeamos pelo Porto até escurecer.

Eu e Eliane havíamos decidido não trazer as bicicletas para o Brasil. Então, perguntamos ao Nelson, o recepcionista do Hotel Porto Rico se gostaria de comprar uma delas. Ele disse que o salário dele não permitiria comprar uma bicicleta daquelas. Então, decidimos dar as duas bicicletas, uma para Nelson, outra para Cila, camareira do mesmo hotel. Eles ficaram extremamente felizes, não acreditaram no presente, de início. Nosso companheiro de viagem, Ruy, iria levar a bicicleta dele para o Brasil, portanto desmontamos a bicicleta, fizemos a embalagem com filme plástico e a levamos para nosso quarto. Depois de resolvida a questão das bicicletas, voltamos para o Hotel Paulista e iniciamos a arrumação das bagagens.

27.9.18 – Esposende – Porto – 70 km

O trajeto e a altimetria da etapa:

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Dia 27 de setembro de 2018, quinta-feira. Distância: 70 km. Nível do mar. Inclinação máxima: 14%. Hora de partida: 9:09h. Hora de chegada: 15:19h. Velocidade máxima: 31 km/h. Velocidade média: 15 km/h.

Etapa plana, nível do mar. Partimos de Esposende e seguimos por estrada calma de paralelepípedos próxima do mar. Há muitas estradinhas de paralelepípedos nesta região, bem chatinho de pedalar. Depois de Apúlia, a estrada quase desaparece em areia fofa, daí saímos de perto do mar para a rodovia N-13. Na cidade de Aver-o-mar, entramos para a praia e é um trecho ótimo, com ciclovias à beira-mar entre as três cidades que são emendadas: Aver-o-mar, Póvoa de Varzim e Vila do Conde. Subimos a beira-rio de Vila do Conde, bonita também, e cruzamos o rio Ave. Seguimos então por estradinhas tranquilas de paralelepípedos até Labruge, onde descemos novamente até a praia. De Labruge até a Foz do Douro, seguimos à beira-mar por avenidas tranquilas e ciclovias. Subimos o rio Douro até a famosa Ribeira, bairro do centro histórico do Porto, na margem do Douro. De minha parte, não senti a melancolia do último dia de pedal, estava feliz pela conquista e por uma viagem tão grande, tão bela, sem incidentes, só alegria, esforço e vitória. almoçamos ali na Ribeira, no restaurante O Terreiro, com a bela vista da Ponte D. Luís I, do Douro, dos barcos rabelos e de Vila Nova de Gaia do outro lado do rio. Depois do almoço, bacalhau, porco, vinhos, empurramos as bicicletas ladeira acima, subindo para a Avenida dos Aliados, até o Hotel Paulista no qual nos hospedamos. À noite, passeamos pela famosa Ponte Dom Luís I e pela Ribeira.

26.9.18 – Valença – Esposende – 79 km

O trajeto e a altimetria da etapa:

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Dia 26 de setembro de 2018, quarta-feira. Distância: 79 km. Nível do mar. Inclinação máxima: 6%. Hora de partida: 9:01h. Hora de chegada: 14:52h. Velocidade máxima: 39 km/h. Velocidade média: 16 km/h.

Etapa plana, ao nível do mar. Partimos de Valença e seguimos a excelente Ecopista do Minho, uma fantástica ciclovia que acompanha o rio, perfeita, embora com alguns pequenos trechos de terra. A partir de Lanhelas seguimos pela N-13 que é segura para ciclistas, embora os motoristas portugueses não se afastem tanto das bicicletas quanto os espanhóis e franceses. Portugal precisa imitar seus vizinhos. Cabe observar, também, que todas as pontes que cruzamos em Portugal são ruins para pedestres e ciclistas: calçadas estreitas, mal cabem um pedestre, sem faixa para bicicletas e motoristas menos cuidadosos. Depois de Caminha, seguimos alternando entre a N-13 e rodovias menos utilizadas. Passamos lentamente por Viana do Castelo, admirando a beira-mar, a beira-rio, o centro histórico. Cruzamos o rio Lima e seguimos pela N-13-3, menos movimentada, até alcançar novamente a N-13. Entramos para a beira-mar antes de Esposende e fomos lentamente curtindo a região até o centro da cidade. Esposende tem dois hotéis e muitos albergues. Por telefone, verifiquei que os albergues não dispunham de quarto para nós, então optamos pelo Hotel Suave Mar. O restaurante do hotel estava encerrando a atividade, então almoçamos no café Marine Lounge, ao lado do hotel. Depois do banho, passamos a tarde na beira da piscina do hotel, sem entrar na água fria como fizeram alguns corajosos hóspedes. À noite, tivemos um excelente jantar no restaurante do hotel.

25.9.18 – Pontevedra – Valença – 52 km

O trajeto e a altimetria da etapa:

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Dia 25 de setembro de 2018, terça-feira. Distância: 52 km. Altitude mínima: 3 m. Altitude máxima: 162 m. Inclinação máxima: 8%. Hora de partida: 9:34h. Hora de chegada: 14:10h. Velocidade máxima: 33 km/h. Velocidade média: 15 km/h.

Etapa suave com algumas subidas. Seguimos pela N-550, muitas vezes com a bela vista das Rias da Galícia, passamos por dentro dos centros antigos de Redondela e de O Porriño. Depois desta vila, seguimos por tranquila e larga estrada que cruza o pólo industrial, depois retornamos a N-550, alcançamos Tui e cruzamos seu centro histórico. Chegamos com grande alegria e entusiamo à Ponte Internacional sobre o rio Minho, de um lado nos despedimos da Espanha e do outro recebemos as boas vindas de Portugal, importante momento da viagem, a entrada no terceiro país do caminho. Em Valença, nos hospedamos no Hotel Lara e depois entramos na fortaleza para passear e almoçar no excelente Solar do Bacalhau. Voltamos ao hotel para descansar e à noite fomos novamente ao interior da fortaleza. Infelizmente e curiosamente, a vila é mortinha da silva à noite, nada do movimento reinante em Pontevedra. Pouquíssimas pessoas pelas ruas, tudo fechado. Tomamos um café e voltamos para o hotel.

24.9.18 – Santiago de Compostela – Pontevedra – 65 km

O trajeto e a altimetria da etapa:

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Dia 24 de setembro de 2018, segunda-feira. Distância: 65 km. Altitude mínima: 3 m. Altitude máxima: 297 m. Inclinação máxima: 10%. Hora de partida: 9:25h. Hora de chegada: 14:42h. Velocidade máxima: 54 km/h. Velocidade média: 15 km/h.

Etapa com sobe e desce embora com altimetria mais baixa visto que nos aproximávamos do litoral da Galícia. A saída da área urbana de Santiago foi complicada, ainda mais porque errei a navegação e caímos em uma via de tráfego intenso, então saímos dela e seguimos por ruas internas, movimentadas e estreitas. Enfim, alcançamos a rodovia N-550, com acostamento e mais tranquila, apesar de que as cidades vizinhas de Santiago emendam-se e andamos muito tempo por zona urbana. A partir da Igreja da Escravitude, deixamos a rodovia principal e seguimos por estradas asfaltadas tranquilas que coincidem com o Caminho Português de Santiago, passando por Iria Flavia e Padrón. Retornamos à N-550, entramos em Caldas de Reis e passamos pelo centro histórico onde acontecia uma feira de roupas, frutas e legumes. Seguimos até entrarmos em Pontevedra por ruas mais calmas e pela ponte antiga sobre o rio Lérez. Entramos no belo centro histórico da cidade, totalmente dedicado aos pedestres, conseguimos um bom quarto no Hotel Virgen del Camino, deixamos as bagagens e fomos de bicicleta almoçar no restaurante O Cruceiro, que nos agradara quando passamos por lá na ida ao hotel. Excelente comida e vinho verde da uva Alvarinho. No final da tarde, passeamos pelo fantástico centro histórico de Pontevedra, lugar animado, só pedestres, muitos bares e restaurantes e famílias inteiras pelas ruas, uma das cidades mais simpáticas do caminho. Visitamos a bela Igreja da Virgem Peregrina, cuja planta tem a forma de uma vieira.

23.9.18 – Santiago de Compostela

Dia 23 de setembro de 2018, domingo. Este foi o único dia de descanso durante a cicloviagem, afinal Santiago de Compostela merece um dia ou dois só para que se desfrute de usa beleza e vielas medievais. Acordamos sem a pressa de sair para pedalar, café da manhã com calma, pegamos um táxi e fomos direto para a Oficina de Acolhida aos Peregrinos para receber nossa Compostela. A Compostela é um documento emitido pela Catedral de Santiago que certifica que o peregrino fez o caminho. A fila ainda estava relativamente pequena, entretanto levou uma hora para sermos atendido. No atendimento, o peregrino preenche um papel com seu nome e dados da viagem. A atendente olhou meus sellos nas credenciais e me deu os parabéns. O texto da Compostela, em latim, no qual se escreve também em latim o nome do peregrino, diz o seguinte: “O cabido desta Santa Apostólica Metropolitana Igreja Catedral Compostelana, zelador do selo do altar de Santiago Apóstolo, para todos os fiéis e peregrinos que chegam desde qualquer parte do orbe terrestre com atitude de devoção ou por causa de voto ou promessa até ao túmulo de Santiago, Nosso Patrono e Protetor das Espanhas, acredita ante todos os que observem este documento que: (o nome do peregrino) visitou devotamente este sacratíssimo Templo com sentido cristão (pietatis causa). Em face do qual lhe entrego o presente documento referendado com o selo desta mesma Santa Igreja». A certificação é assinada pelo secretário capitular da igreja compostelana. Além da Compostela, que é gratuita, o peregrino pode solicitar, ao custo de três euros, um outro certificado em que irá constar a quilometragem realizada pelo peregrino. Nós a solicitamos também, entretanto, lá não se coloca a quilometragem referida pelo peregrino, mas a quantidade existente em uma tabela da igreja. No nosso caso, a quilometragem registrada pela igreja foi menor do que a realizada por nós. O peregrino também pode opcionalmente adquirir um tubo, ao custo de dois euros, para proteger os documentos obtidos.

Depois de obter a Compostela, pensamos em assistir a missa do meio-dia. Contudo, a fila para entrar na igreja era infinita, dava voltas pelas ruas em torno da Catedral. No dia anterior, nós pudéramos entrar na catedral com toda a tranquilidade e sem filas, donde desistimos do intento neste dia. Visitamos a loja dos Bicigrinos e tivemos uma boa conversa com o proprietário que nos presenteou com revistas que detalham o caminho e trazem conselhos para os bicigrinos. Passeamos pelas vielas e fomos almoçar no Restaurante Manolo, conselho do peregrino Oswaldo Buzzo. Excelente comida e vinhos, tudo ao preço de dez euros, embora uma certa pressa no atendimento. Contudo, conversamos com o próprio Manolo, pessoa simpaticíssima que adora o Brasil e os brasileiros e, claro, recordou-se do amigo Oswaldo. Ainda passeamos bastante pela cidade, tomamos o trenzinho que dá uma visão geral de Santiago. Por fim, retornamos ao hotel para lá encerrar o dia com vinho e comida.

22.9.18 – Arzúa – Santiago de Compostela – 50 km

O trajeto e a altimetria da etapa:

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Dia 22 de setembro de 2018, sábado. Distância: 50 km. Altitude mínima: 250 m. Altitude máxima: 410 m. Inclinação máxima: 9%. Hora de partida: 9:20h. Hora de chegada: 14:20h. Velocidade máxima: 46 km/h. Velocidade média: 13 km/h.

Etapa de sobe e desce. Fizemos o percurso quase todo por carretera. Neste momento, o peregrino não quer ver mais muitas vilas e belezas porque está perto de seu objetivo, a ansiada Santiago de Compostela. Depois do aeroporto, passamos a seguir a rota dos peregrinos que alterna um pouco de terra e asfalto. Este trecho já perto de Santiago é chatinho pois, mesmo no asfalto, há dezenas, centenas de peregrinos a pé, é até difícil passar de bicicleta, e também umas subidinhas muito inclinadas. A minha impressão desse trecho final é de que os peregrinos estavam tristes, desanimados. Sim, chegariam a Santiago, mas por outro lado, encerrava-se uma bela viagem. Os cumprimentos, os buen camino, soavam fracos, nebulosos. Para mim, não havia essa tristeza de final de viagem porque sabia que o nosso pedal não se encerraria em Santiago. Decidimos sair desse trecho de sobe e desce e retornar à carretera, e não subir o Monte do Gozo. Na nossa viagem, fizemos o que achávamos melhor sem seguir imperativos do tipo “tem que fazer isso ou aquilo”. Na carretera, já quase entrando em Santiago, tivemos a mesma visão que se tem do Monte do Gozo, as torres da Catedral no horizonte, e sem disputar espaço com a multidão. Também considerei, acertadamente, que chegando na cidade pela carretera haveria de encontrar mais facilmente hotéis e quartos. Dessa forma, antes da ponte de entrada em Santiago, conseguimos um bom quarto por excelente preço no Hotel Santiago Apóstol. Fizemos o pagamento do quarto, mas continuamos a rota com nossas bagagens. Assim, carregados com os alforjes como em todo o percurso, adentramos o centro histórico e a famosa Praza do Obradoiro. Sim, foi bom, foi uma vitória, mas devo dizer que naquele sábado a Praza estava incômoda porque fora tomada por um enxame de carros antigos em exposição. Nós peregrinos tínhamos que nos apertar entre os carros. E a praça é enorme, ampla, mas estava atulhada. De todo modo, conseguimos fazer nossas fotos da chegada e ajudamos muitos peregrinos em suas fotos também. Retornamos ao hotel pedalando, almoçamos no trajeto. Depois de acomodados e refeitos, pegamos um táxi para o centro, não queríamos pedalar pois Santiago de Compostela se mostrou uma das piores cidades para bicicletas em que passamos. Trânsito intenso, excesso de veículos, ruas estreitas, ausência de ciclovias. Na Praza do Obradoiro, visitamos a Catedral, assistimos a missa, abraçamos a estátua de Santiago, descemos e vimos a tumba do apóstolo, fizemos tudo que tínhamos direito como bons peregrinos. Passeamos pelo belo centro histórico e retornamos ao hotel onde encerramos a noitada com vinhos e comidinhas.