Minas Gerais: de Lagoa Dourada até Tiradentes (46 km)

Bom, durante o café da manhã na Pousada das Vertentes, Dona Aydée me contou a história do casarão. Ela acredita que o imóvel tenha mais de duzentos anos. Algumas paredes têm mais de um metro de largura e, durante uma reforma, viu-se que a base é de pedra e as paredes são de taipa de pilão.

Dona Aydée nasceu nesse casarão. Ele pertencia à Igreja e, antes dela nascer, o padre queria demolir o casarão. O pai de Dona Aydée ficou revoltado com o padre pois, já naquela época, a cidade tinha perdido várias edificações antigas. O pai dela era fazendeiro e decidiu comprar o casarão para evitar a demolição. O negócio foi acertado e resolvido em Mariana, pois Lagoa Dourada fazia parte daquela diocese, na época, e a família passou a morar no casarão.

Curiosamente, os pais de D. Aydée se chamavam Altino e Antonieta e, portanto, os seis filhos tiveram nomes começados com a letra A. O nome dela, na origem francesa tem H, mas os pais tiraram essa letra para que começasse com A. Dona Aydée me fez lembrar da mãe de Baga, frágil, pequena, e ainda cuidando daquele enorme casarão e do marido que, recentemente, teve um avc.

Saí da pousada, dei mais uma volta por Lagoa Dourada e peguei a rodovia asfaltada. Segui pela rodovia por cerca de 11 km, quando entrei em estrada de terra na direção de Prados. Em determinado momento do sobe e desce, comecei a ver a Serra de São José, no horizonte.

Passei pela cidade de Prados lentamente, apreciando as casas e igrejas, mas sem parar. Prados tem inúmeras lojas de artesanato que, inclusive, fornecem para o famoso povoado de Bichinho. A estrada que sai de Prados é calçada, mas se torna de terra na bifurcação para o Bichinho. Pela terra e com tobogã, cheguei ao Bichinho.

O Bichinho é um pequeno povoado, quase que de uma única rua, que se tornou famoso e procurado pelo artesanato. Atualmente, quase todas as casas se tornaram lojas de artesanato. O arruado ficou bonitinho, mas um pouco artificial.

Lá no Bichinho, parei no primeiro self-service-sem-balança que encontrei e, sem querer, era o mais famoso, o Tempero da Ângela. Havia outros e até pensei em sair, mas fui ficando. Como cheguei cedo, pouco antes de meio-dia, havia bastante gente, mas muitas mesas livres. A comida é boa, comi bastante, mas é o mesmo tipo de comida de qualquer self. Entretanto, se eu tivesse chegado mais tarde, não almoçaria ali, pois, no momento em que saí, havia fila de espera para entrar. Eles possuem um salão anexo onde as pessoas que tiveram seus nomes anotados ficam esperando, sentadas e na sombra. Dá pra mim não. E logo adiante, há outros self-service e restaurantes.

A estrada que liga o Bichinho a Tiradentes é terrível para bicicletas, pois calçada com pedras desarrumadas. É um bate-bate tremendo, pior que costela de vaca. Com isso, pouco antes de entrar em Tiradentes, arrebentaram os arames que prendiam um dos lados do bagageiro. Bom, tive que parar, cortar pedaços de arame e refazer a amarração. Recordo que meu bagageiro teve os parafusos quebrados na travessia da Serra do Cipó e, desde lá, fiz essa amarração com arame.

Chegando em Tiradentes, eu vinha sem certeza de encontrar pouso, pois a cidade é bela e famosa. Ainda na estrada, em uma loja de artesanato, vi um casal comentando que “tá tudo lotado, pois tá tendo um festival”. Vixe, pensei.

Entrei na cidade e, antes do centro histórico, em uma rua transversal e cheia de pousadinhas, vi uma plaquinha pequena e simpática, Hospedaria de Maria. Perguntei se havia quarto, havia, e o valor era o padrão ER. A dona, que se chama, Fátima, me mostrou os quartos, muito agradáveis e organizados. Fiquei.

De fato, estava acontecendo um Festival Gastronômico e, depois do banho, dei uma voltinha pela cidade e assisti uma apresentação de chorinho que ocorria na praça principal. Tiradentes, além da beleza própria, tem um monte de restaurantes e cervejarias. Parei em um botequinho bem pequeno, com uma geladeira abastecida de cervejas artesanais da região e experimentei uma delas.

Por fim, não vou me estender sobre Tiradentes, sua fama e beleza falam por si e minhas fotos estão aquém do valor da cidade. Quem não a conhece, vá até lá, vale a pena. É tudo por hoje.

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Percurso

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Pousada das Vertentes – Lagoa Dourada

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Lagoa Dourada

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Pousada das Vertentes

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Pousada das Vertentes

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Pousada das Vertentes

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Pousada das Vertentes

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Lagoa Dourada

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Lagoa Dourada

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Lagoa Dourada

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Lagoa Dourada

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Lagoa Dourada

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Lagoa Dourada

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Lagoa Dourada

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Lagoa Dourada – Tiradentes

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Lagoa Dourada – Tiradentes

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Lagoa Dourada – Tiradentes

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Lagoa Dourada – Tiradentes

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Serra de São José

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Lagoa Dourada – Tiradentes

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Serra deSão José

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Lagoa Dourada – Tiradentes

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Lagoa Dourada – Tiradentes

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Lagoa Dourada – Tiradentes

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Lagoa Dourada – Tiradentes

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Serra de São José

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Lagoa Dourada – Tiradentes

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Lagoa Dourada – Tiradentes

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Bichinho

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Bichinho

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Bichinho

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Bichinho

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Bichinho

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Bichinho

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Bichinho

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Bichinho

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Bichinho

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Bichinho

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Bichinho

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Bichinho

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Tiradentes

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Tiradentes

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Tiradentes

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Tiradentes

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Tiradentes

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Minas Gerais: de Conselheiro Lafaiete até Lagoa Dourada (64 km)

Apesar das sempiternas subidas e descidas mineiras, o dia foi relativamente fácil.

A primeira fase foi sair da enorme Conselheiro Lafaiete. Quem faz a Estrada Real, com suas vilas de mil, dois mil habitantes, se sente incomodado com cidade grande e feiosa. A saída de Conselheiro Lafaiete se faz pela periferia da cidade, feia e triste como qualquer periferia. Enfim, deixam-se as últimas casinhas e a estrada de terra entra por uma mata de eucaliptos.

A estrada de terra chega à rodovia MG-844, asfaltada e tranquila. O relevo de tobogã é suave. Cheguei à Queluzito, vilazinha com duas igrejas bonitas que fotografei. Continua-se pela rodovia até a vila de Casa Grande. Um grupo de quatro ciclistas que faziam sua trilha de sábado, desceram na rodovia e seguiram na minha frente por um tempo.

Lá antes de Casa Grande, passei o Rio Tabaco e entrei na cidade. Cerca de onze e meia, perguntei a uma mulher se havia restaurante na cidade, ela me indicou onde ficava. Era o bar de Seu Zeca. Ele estava na frente, chapéu de palha, cabelos brancos, magro, camisa branca, calça engomada. Não parecia ser um restaurante, daí perguntei se tinha almoço, e Seu Zeca foi lá dentro ver. De fato, ele serve almoços, mas o cliente vai lá na cozinha da casa dele se servir. Self-service caseiro, coma quanto quiser a doze reais. Seu Zeca disse que o almoço já estava pronto e que eu podia ir me servir, pedi uma Brahma e fui.

Batata baroa, cenourinha refogada, macarrão, tomates, carne de boi guisada e havia ainda outros pratos que não peguei, como o tradicional angu.

Seu Zeca conversava comigo sobre a ER enquanto eu comia. Ele não gostou porque eu me servi de pouca comida. Várias vezes insistiu que eu fosse lá na cozinha pegar mais comida. Expliquei a ele que ainda havia muita subida pela frente e, se eu estivesse cheio, não aguentaria. Descansei um pouquinho, comprei água, me despedi, Seu Zeca insistiu para eu descansar mais, entretanto recusei e parti.

A partir de Casa Grande, entra-se na estrada de terra. É uma estrada bonita, entre fazendas, campos, pastagens, de relevo suave, mas nunca plano, evidentemente. Depois de muitos km, cheguei ao povoado de Catauá, e cheguei descendo forte. Já imaginei como ia ser a saída do povoado. Comprei água e li no marco da ER que o povoado quilombola se chamava Cataguá, mas com o tempo perdeu o G, sabe-se lá como e porquê.

A saída de Catauá foi bem difícil, subidas íngremes até a rodovia BR-383, asfaltada e com algum tráfego de veículos, mas bastante tranquila.

Cheguei por volta de três e meia da tarde à Lagoa Dourada, o objetivo do dia, pois a próxima cidade com pousada fica muito distante. Hospedei-me na Pousada das Vertentes, de Dona Aidê, no alto de uma ladeira, junto à Igreja Matriz. A pousada fica em um casarão tão antigo quanto a cidade. Entretanto, não sei se vai ser fácil dormir ali no casarão, pois a igreja badala o sino bem alto de hora em hora.

Depois de tomar um banho, desci para experimentar o famoso rocambole de Lagoa Dourada. A cidade é conhecida pelos seus rocamboles, que já contam com mais de cem anos de história, desde que uma família libanesa se estabeleceu na cidade e iniciou a produção da iguaria. Existiram muitos percalços na história da família, mas o rocambole se firmou e hoje há até um festival do rocambole, que acontece em setembro.

E, de fato, eu não fui comer o “famoso”, eu fui comer o Legítimo Rocambole de Lagoa Dourada, pois nessa loja é que se faz o rocambole da família libanesa. Há pela cidade muitas lojas de rocambole, “o famoso”, “o tradicional”, mas o Legítimo é o original. Lá, além de comer o rocambole nas suas mais variadas versões, se pode ler a história da família.

Pedi o rocambole de goiabada e gostei bastante. A massa é como um pão de ló e, apesar de não ser um rocambole fininho, é bem leve e saboroso. Aprovado.

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Trajeto

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Conselheiro Lafaiete, Queluzito, Casa Grande, Lagoa Dourada

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Queluzito

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Queluzito

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Queluzito

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Queluzito

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Queluzito

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Queluzito

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Queluzito

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Queluzito

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Lagoa Dourada

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Lagoa Dourada

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Lagoa Dourada

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O Legítimo Rocambole de Lagoa Dourada