Pedal Bagaceira – Olinda

trip-7987858-map-full

No domingo 28, Bagaceira e eu saímos para um pedal leve. Seguimos na direção de Olinda e, quando passamos pelo Varadouro, entramos para visitar a rua da Boa Hora, pois uma amiga, Rosa, havia nos mostrado um belo grafite daquela rua. Encontramos o grafite, fotografamos, mas não falamos com Rosa, pois a casa dela estava toda fechada. Deviam estar dormindo. Continuamos o passeio e seguimos pela ciclovia da beira-mar de Olinda até o final. Voltamos pelas ruas internas dos bairros de Rio Doce, Jardim Atlântico e Casa Caiada. Passamos na casa de amigos, Fernando e Aglaê, para visitá-los, mas ninguém atendeu a campainha. Voltamos para Recife e paramos no Bar do Tonhão para almoçar. Saindo do bar, encontramos com o Comendador Hodsons e Rejane. Depois, casa. Pedalamos 36 km.

DSC_0274

Grafite – não se casariam

DSC_0272

Grafite ao lado da Igreja da Boa Hora

Advertisements

Meio Maré, meio Bagaceira

7974086

Com o grupo Maré Bikers, pedalamos no sábado 27, da Jaqueira até a praia de Itapuama.  Depois da Ponte do Paiva, em lugar de seguir pela ciclovia, fomos pela areia da praia. A maré estava secando e, naquela hora, já dava para pedalar pela praia. Em Itapuama, paramos para reabastecimento, caldo de cana, água, refrigerantes. De lá, o grupo Maré seguiu para a praia de Xaréu. Bagaceira e eu voltamos de lá, pois ela estava cansada e pensava estar atrasando o grupo Maré. Voltamos para Recife e paramos no Biruta Bar, na praia do Pina, para almoçar. Arroz de polvo. Depois do almoço, seguimos pelos arrecifes e atravessamos de barco para o Marco Zero. Tomamos picolés no Frutos do Brasil e continuamos para casa. Pedalamos 75 km.

DSC_0265

Praia do Paiva

DSC_0264

Praia do Paiva

DSC_0266

Biruta Bar

DSC_0267

Picolés Frutos do Brasil

Recife – Caruaru – Garanhuns: 231 km

trip-7918915-map-full

Recife – Caruaru: 131 km

7918916

Caruaru – Garanhuns: 100 km

Na sexta-feira, 19/02, saí do trabalho às duas da tarde, pedalei até o Habib’s da Av. Abdias de Carvalho e encontrei com Moysés, Bigode e Valdir. Era ali nosso ponto de encontro e de partida para a viagem de fim de semana.

O carro de Moysés ia nos acompanhar. Não é a minha praia, não gosto de viagens com apoio, mas concordei, pois o retorno ia ser naquele carro. Sinceramente, prefiria ir por minha conta e voltar de ônibus, por exemplo.

Partimos. O trajeto é, grosso modo, uma reta só, direto de Recife até Caruaru. A saída de Recife é complicada, excesso de carros e caminhões como em todas as cidades brasileiras. Depois do Curado, fica mais tranquilo, mas não é agradável viajar pela margem das rodovias. O barulho dos veículos é constante, só se pode conversar aos berros e sempre há o risco de um maluco daqueles entrar pelo acostamento. Apesar de tudo, o acostamento da BR-232 é bom de pedalar, asfalto liso e quase sem buracos.

Seguimos praticamente sem paradas até Pombos. Nesse ponto, Valdir já começava a ficar para trás. Bigode seguia no meio ou com Valdir, Moysés e eu na frente, o carro fechava a comitiva. Em Pombos, às cinco e pouco, paramos em um posto de gasolina para colocar as lanternas, começava a escurecer. No carro, havia refrigerantes, água, bananas. No posto, encontramos Aldenor, do grupo Detox, que ia de carro para Caruaru e parou para conversar um pouco.

Fizemos a subida da Serra das Russas, que foi tranquila. Valdir vinha atrás e sentia um começo de câimbra, mas subiu tudo. Eu e Moysés paramos para agrupar na entrada do túnel. Depois, fizemos uma breve parada mais adiante. Seguimos, sempre com Valdir muito atrás.

Passamos Gravatá, chegamos em Bezerros. Procuramos um lugar para jantar, mas não encontramos nada aberto por perto da rodovia. Juntamos o grupo e partimos para Encruzilhada de São João. Moysés, Bigode e eu paramos em um restaurante no lado oposto da pista. Algum tempo depois, chegaram Valdir e o motorista. Jantamos, comida farta.

Partimos para o trecho final até o Caruaru Park Hotel, que fica no lado oposto da BR-232, o que facilitava nosso trajeto, pois não seria preciso entrar na caótica cidade de Caruaru. Chegamos ao hotel às dez e meia da noite e fizemos o check-in. Não é confortável viajar à noite. As lanternas são fortes, mas existe a possibilidade de não dar tempo de desviar de um buraco, ou colidir com um animal. Não é seguro e deve ser evitado, sempre que possível. Apesar de tudo, a temperatura é muito mais amena, até mesmo friazinha, especialmente lá no Agreste de Pernambuco, e a pedalada resulta agradável.

No hotel, banho, ver um pouco de tv e dormir. Roncos fortíssimos de Moysés e Valdir durante toda a noite.

Nesse dia de viagem, percorremos 131 km, com velocidade média quando em movimento de 21 km/h. Partimos às 14:20 de Recife e chegamos às 22:30 ao hotel em Caruaru, aproximadamente 8 horas de viagem, o que dá uma média real de 16 km/h. Saímos do nível do mar e chegamos aos 600 metros de altitude.

No sábado, 20/02, acordei às seis e meia, mas fiquei deitado esperando a turma toda acordar. Tomamos o farto café da manha do Caruaru Park Hotel, Bigode trocou a câmara do seu pneu dianteiro, que havia furado, fizemos os preparativos necessários e partimos para Garanhuns às nove e quinze.

Dia de muito sol e muitas subidas. Fizemos uma primeira parada na saída de São Caetano para a BR-423, vinte quilômetros depois do hotel. Dia muito quente, então fizemos mais paradas que no dia anterior, a cada vinte km mais ou menos. Depois de São Caetano, paramos em Cachoeirinha e fizemos um lanche. Quando saí da lanchonete, vi que o pneu traseiro da minha bicicleta estava furado. Novamente, a causa foi um dos pedacinhos de aço que se soltam dos pneus estourados de caminhões. Troquei a câmara e partimos. Mais vinte quilômetros e outra parada em um posto de gasolina pouco antes de Lajedo. Valdir estava recuperado neste dia e quem estava sofrendo era Bigode, com dor na bunda.

O asfalto do acostamento da BR-423 é terrível para as bicicletas. É rugoso, feito de brita e pouco piche, aquilo agarra o pneu da bicicleta, causa um atrito enorme, a gente sente que a bicicleta não rende. Por outro lado, o asfalto da pista é bem lisinho, muito bom mesmo, mas há muitos caminhões passando e não dava para ir por cima da pista. Portanto, a gente lutava contra o acostamento rugoso, contra o vento, e contra o sol forte.

Nessa parada do posto, Moysés percebeu que seu pneu dianteiro havia furado. Nova troca de câmara. Seguimos e, pouco depois de Lajedo, Bigode desistiu de continuar, pois não aguentava mais de dor na bunda. Ele havia estado doente e não pedalara por alguns dias.

Seguimos, Moysés e eu um pouco mais à frente, Valdir um pouco para trás, mas bem melhor que na sexta-feira. Passamos direto por Lajedo, Jupi e Neves. Muitas e enormes subidas nesse trecho. A gente só parava um pouquinho para agrupar no topo das subidas. Depois de Neves, uma rápida parada para conhecer o terreno onde Moysés vai construir um hotel de campo, e seguimos para os quinze quilômetros finais.

A última subida antes da entrada em Garanhuns parece ser a maior de todas, longa e bastante inclinada. Subi na frente, mais rápido, pedalando em pé no estilo de Alberto Contador, e só parei na frente da Polícia Rodoviária. Logo chegaram Moysés e Valdir e seguimos. Entramos em Garanhuns e chegamos até a casa de Moysés.

Banho, jantar, conversar, jogar dominó e dormir.

Nesse dia, percorremos 100 km, com velocidade média quando em movimento de 18 km/h. Partimos às 9:15 de Caruaru e chegamos às 17:30 na casa de Moysés em Garanhuns, aproximadamente 8:15 horas de viagem, o que dá uma média real de 13 km/h. Saímos de 600 metros de altitude e chegamos aos 900 metros em Garanhuns. Como se pode ver, foi uma dia mais difícil, pois gastamos o mesmo tempo para fazer uma distância menor. Além do acostamento rugoso, havia o vento contrário, o sol forte e o desgaste do dia anterior.

No domingo, 21/02, voltamos para Recife no carro de Moysés.

Apesar de ter sido uma boa viagem, com belas paisagens de morros e montes, muito verde no trecho entre São Caetano e Garanhuns, esse não é o meu tipo preferido de viagem. Não gosto de viajar por rodovias de grande tráfego nem de ser acompanhado por carro de apoio. A presença do carro de apoio nos torna mais egoístas e menos solidários com quem está para trás. Sem carro de apoio, procuro retardar o passo e não deixar um companheiro fora de vista. Com o carro lá atrás, seguimos despreocupados na frente. Entretanto, sei que para quem está mais lento, ver os colegas se distanciarem e sumirem aumenta o cansaço e o desgaste. Já passei por isso, sei como é a sensação.

Uma viagem de longas quilometragens dá muito tempo para meditar no guidão da bicicleta, refletir sobre os caminhos que me levaram até ali, planejar outras viagens, contemplar a paisagem infinita, espantar-se sobre a vastidão do mundo, sobre tantos montes intocados e tantas casinhas isoladas. As subidas, que são incontáveis nesse trajeto, são momentos especiais de paciência, um pouco de dor, momentos de saber administrar as forças, o ritmo, a calma e a marcha certa para chegar ao topo.

É necessário, também, notar que, em longas viagens de cicloturismo, nunca faço quilometragens tão grandes como essas, 131 km, 100 km. O cicloturismo importa em quilometragens menores, assim se vê mais de cada lugar, se chega menos fatigado ao final do dia, se pode aproveitar mais e sofrer menos. Caso esse passeio fosse uma verdadeira viagem de cicloturismo e nós não conhecêssemos já e bastante essas cidades, o trajeto deveria ser feito em três ou quatro dias, utilizando-se de estradas menos movimentadas e passando por Bonito, Panelas, Quipapá, por exemplo.

3 - IMG_1506 (Small)4 - IMG_1507 (Small)11 - IMG_1516 (Small)12 - IMG_1517 (Small)14 - IMG_1519 (Small)16 - IMG_1521 (Small)17 - IMG_1524 (Small)

Pra quê essa correria? (Trilha em Aldeia)

7840985

No sábado, 13, acordei às quatro e quarenta, café, banho, roupa, e fui para a praça encontrar Feijó e Antonio para pedalarmos. Cheguei primeiro. Logo depois chegou um rapaz forte, Júlio, nos cumprimentamos e ele lançava olhares enviesados para a minha bicicleta. Como minha bicicleta não é dessas poderosas, penso que era o típico olhar de crítica e menosprezo. Captei desde esse início que essa não seria uma boa pedalada. Gente que valoriza bicicleta cara não é o meu grupo.

Chegaram Antonio e Feijó e saímos. Já forçaram o ritmo de saída. Também não faz minha cabeça. Gosto de começar lentamente e ir esquentando. Mas acompanhei o ritmo, não gosto, mas dava para acompanhar. Seguimos por dentro do Sítio dos Pintos e começamos a subida de Aldeia pelo asfalto. Eu pensava que eles iam me deixar para trás, pois prefiro subir lentamente, mas o ritmo deles foi o mesmo que o meu, eles diminuíram na subida. Continuamos até o km 9,5 da Estrada de Aldeia e paramos na padaria. Estava fechada e a maior parte do pessoal que iria pedalar não havia chegado. Outro ponto negativo, pois fiquei muito tempo, uma hora?, esperando até que todos comessem e estivessem prontos.

Saímos e o ritmo foi forte todo o tempo. Pedalamos pelo asfalto, entramos por um estradão à direita da Estrada de Aldeia, seguimos muitos quilômetros, entramos por uma mata, um single track em descida, uma subida forte, subi quase tudo exceto um pequeno trecho que não deu tração. Penso que poucos conseguiram passar esse trecho. Subida forte e cheia de moscas e mosquitos que nos perseguiam. Cheiro ruim. No topo da subida, uma granja, fedor terrível de merda de galinha e sei-lá-mais-o-quê. Continuamos por estradão. Entramos por uma estradinha que contorna uma mata, há muitas desse tipo na região. Alguém nos guiou para uma descida pela mata, mas foi engano, não havia saída quando chegamos lá embaixo, mata fechada. Subimos de volta. Depois disso, longo estradão em ritmo forte, muito forte, até Chã de Cruz. Alguns trechos de areia fofa fizeram com que eu me distanciasse do grupo que seguia na frente. Todo o tempo estive na frente, mas me distanciei com a areia fofa, fiquei no meio, acho, isolado.

Alguém do grupo de trás me alcançou, perguntei se havia ainda alguém atrás, ele respondeu que muitos estavam para trás. Não lembro bem como foi, mas voltei a me aproximar do grupo da frente. Alguns pararam nas primeiras partes habitadas de Chã de Cruz, eu segui com o líder do grupo, Murilo, e alguns poucos. Ele parou no centro da vila, em uma lanchonete. Comprei refrigerantes e água e uma queijadinha. Eram onze horas. Murilo disse que iria descer para o Bar do Brejo. Eu já estava decidido a não descer. Seguiria pelo asfalto e voltaria para casa, mesmo que Antonio e Feijó ficassem. Eram onze horas e calculei que levaria ainda uma hora e meia para chegar em casa. Faltavam trinta quilômetros. Os dois colegas chegaram e eles também iriam voltar direto. Saímos na frente, o grupo era desonerado, como dizia minha mãe das coisas desunidas, liquefeitas, degeneradas. Saímos em cinco e um rapaz que eu não conheço teve câimbras nas coxas, paramos, Murilo chegou e disse que iria buscar o carro e voltaria. Deixamos o rapaz descansando em uma parada de ônibus e seguimos.

O ritmo de Feijó era forte, desagradável para mim, eu estava cansado também, seguíamos eu, Feijó e Júlio, mas percebi que Antonio ficava para trás, avisei a Feijó, mas ele não diminuiu, então fiquei para trás e segui junto com Antonio. Um pequeno engarrafamento causado por um bloquinho pós-carnaval.

Senti que ia ter câimbras, também, parei e modifiquei a altura da sela, que é o método recomendado para evitar a câimbra quando ela está começando. Pedalei novamente e a sensação foi passando. Não estava normal, cem por cento, mas foi uma recuperação excelente, no estado em que eu estava, cansado e aborrecido. Entramos pela Estrada dos Macacos e Sítio dos Pintos. Em Apipucos, eu disse aos colegas que podiam seguir mais rápido, pois eu iria por dentro, mais devagar. Feijó insistiu em seguirmos juntos e fui. Júlio entrou para o Poço da Panela sem se despedir, deselegante. Passamos na frente da casa de Antonio, nos despedimos, seguimos eu e Feijó e nos separamos na Rua do Futuro.

Em casa, deitei no chão do quarto com o ventilador soprando em cima de mim.

Pedalamos cem quilômetros, com velocidade média de 21 km/h, alta para uma trilha. Não gostei do pedal por conta do ritmo. Não compreendo a motivação de fazer tudo em correria. Não dava tempo nem mesmo de conversar com algum dos ciclistas. Era correr e correr. Não dava tempo de olhar a paisagem ou de fazer fotografias. Povo maluco. Grupo desunido, cada um por si. As partes boas foram o trecho por dentro do Sítio dos Pintos, na ida, que eu não lembrava, e o trecho dentro da mata com a subida logo após, apesar do fedor e das moscas da granja.

Caio e Perla – Warmshowers

O casal de cicloviajantes Caio e Perla passou uma noite na nossa casa. Eles fazem parte do Warmshowers, como nós, e estavam em uma curta viagem, desde João Pessoa, na Paraíba, onde moram. Além de Recife, eles passaram por Caruaru, Garanhuns e terminaram a viagem em Arapiraca, no Estado de Alagoas.

IMG_1355 (Small)