Minas Gerais: de Senhora do Carmo até Cocais (57 km)

Ontem, Dona Maria Isabel e Seu Roberto me mostraram a casa, disseram para escolher o quarto e, como não há restaurante na cidade, ela disse que eu poderia jantar com eles à noite, “comida simples”.

Dona Maria Isabel é uma mãe. Ficar hospedado com eles é como, de repente, passar a fazer parte da família. Eles têm uma filha, Lílian, 16 anos, que, desde os 12, mora em Belzonte para estudar em uma boa escola. Lílian quer fazer Medicina.

O jantar foi na cozinha, as panelas colocadas no fogão, D. Maria Isabel se desculpando por comermos na cozinha. Feijão, couve, carne de porco e de boi enrolada com cenoura, farofa, tomates e ela ainda não se contentou e fritou um ovo para mim, apesar dos meus protestos. Comemos e conversamos, eles gostam de conversar. Mais tarde, quando chegaram outros dois hóspedes, ela ainda estava na cozinha conversando com eles.

O café da manhã foi servido na grande sala de jantar que é aberta para o quintal. A casa deles deve ter mais de 200 anos, pois nessa mesma casa morava o bisavô de Seu Roberto. E veja, a mãe de Seu Roberto está com 98 anos, lúcida, reconhece a todos e cuida de si própria. Daqui a dois anos haverá a festa do centenário. D. Isabel se desculpa pela casa velha, mas, de fato, é uma bela casa antiga e sólida, feita toda de pau-a-pique e madeira. Veja que impressionante, hoje, as casas de concreto, tijolo e cimento não duram nada, e uma casa de barro e madeira, elementos presentes no próprio local da construção, é duradoura. De fato, se sabe que o barro das casas de pau-a-pique fica cada vez mais duro com o passar dos anos.

A casa tem quartos enormes, duas escadas, uma que dá na sala de visitas, outra que dá na sala de jantar. É impressionante, também, que a casa continua com a mesma função da sua origem. Ela era ponto de parada de tropeiros na Estrada Real, e a sala de jantar era aberta para o lugar onde ficavam os cavalos e mulas, e ali, naquela sala, os tropeiros faziam suas refeições.

No café da manhã, entre conversas, D. Isabel manda que o hóspede pegue frutas, lá dentro, e o que mais precisar na geladeira. Ela avisou que o café estava fraquinho de açúcar, mas estava doce que só a gota, então ela preparou um sem açúcar para mim.

Perguntei a ela se havia passado por lá, algum dia, uma moça de bicicleta com um cachorro na bagagem. Ela disse que não, mas contou dos hóspedes que ela considerou os mais inusitados. Uma moça de Cubatão/SP que fazia a Estrada Real sozinha e a pé. D. Isabel disse à moça que era muito duro fazer à pé, a moça disse que, se cansasse, iria pegar ônibus também. Aí é que é difícil, disse D. Isabel, pois quase não há linhas de ônibus entre as cidades da ER. Os outros hóspedes que a impressionaram foram um grupo de três alemães em bicicletas. Um deles falava português, os outros apenas falavam “obrigado”.

D. Isabel emendou o assunto, falando que “esses países”, ela se referia à França e à Alemanha, são tão perfeitos, e de repente vem esse “trem medonho”, o terrorismo. “Para mim,” ela disse, “isso é o demônio, a gente tá em paz no nosso canto e vem um trem desses, só pode”.

Mas, bem no início do café, aconteceu algo bastante curioso. Você sabe que, na mitologia grega, os profetas são cegos, pois os deuses tiram a visão comum e dão aos escolhidos uma visão das coisas divinas.

Observe que Seu Roberto é praticamente cego, um olho sem visão, o outro deve enxergar apenas manchas de luz e sombra, deve ter uns dez ou vinte por cento de visão. Entretanto, ele se movimenta normalmente pela casa e ainda administra a Comercial Neves, um armazém da família. Poizentão, Seu Roberto desceu as escadas, hoje de manhã, e falou: “Deus me disse que de todas as criaturas que fez, a pior foi o ser humano. Deus me disse que está arrependido de ter feito o ser humano.” E desfiou algumas das maldades humanas.

Seu Roberto saiu para o trabalho, mas a casa ainda parece um ponto de tropeiros. Chegou Dona Rosário, muito velha, meio encarquilhada, um vozeirão forte, veio visitar. Falava um mineirês dificílimo de entender, D. Isabel entendia, eu só entendi duas palavras: ela falava “pierna” e pié”, perna e pé. D. Rosário tomou café, bolo, e se foi, e veio Sônia e o marido, sentaram, conversaram, trouxeram um paninho bordado de presente, tomaram café.

Bom, eu cuidei de minha bagagem e bicicleta, paguei e me despedi de D. Isabel. Disse a ela que esperava que a filha conseguisse fazer Medicina. D. Isabel disse: “Ô meu filho, tomara, e por favor, coloque ela em suas preces, você e sua esposa coloquem Lílian em suas preces.”

E parti.

O trecho de Senhora do Carmo até Ipoema é de terra, mas o relevo é suave. Ambas essas localidades são distrito de Itabira, e passei por duas pontes sobre o Rio Tanque feitas pela prefeitura em 1968. Mais adiante, vi uma siriema na estrada e ainda consegui tirar uma foto dela, antes que ela escapasse da estrada. Entretanto, logo depois, em um campo gramado, vi duas siriemas e fotografei com tranquilidade.

Cheguei à Ipoema, e na entrada do distrito, a parede da escola tinha poemas de Drummond. Passei pela cidade que tem um bela igreja e segui, dessa vez por rodovia até Bom Jesus do Amparo. Visitei por fora duas igrejas da cidade e fui almoçar em um self-service, 12 reais, sem balança. A proprietária fez perguntas e conversamos sobre a ER.

A saída da cidade, depois do almoço, foi com sol forte e subida por asfalto, mas depois de alguns km, a rota volta a ser de estrada de terra. De início, por entre restos de mata, pastagens e fazendas. Depois, a estrada passa por dentro de uma floresta de eucaliptos. É bem esquisito aquele monte de árvores todas certinhas. Me lembrou o filme “A Vila” de M. Night Shayamalan. Ainda bem que eu usava amarelo, que era a cor que afastava os bichos, no filme. Após os eucaliptos, novamente a estrada passa por trechos de matas até chegar à pequena vila de Cocais, bonita, bem conservada e com duas belas igrejas. Encontrei uma pousadinha e ali fiquei.

0Sem título

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

Advertisements

Minas Gerais: de Morro do Pilar até Senhora do Carmo (51 km)

Durante o café da manhã na excelente Pousada Indaiá, passei mais de hora proseando com Dona Edelvais. Conversamos sobre os ciclistas da Estrada Real que pousam lá, sobre a Estrada e algumas cidades, sobre Morro do Pilar, sobre a ação das tenebrosas mineradoras, foi muito assunto.

Dona Edelvais me disse que o médico indicava nomes para os pais dela, quando nascia um filho, porque os pais queriam todos os filhos com a letra E. Assim vieram uns oito ou nove, não decorei, como Ercílio, Elena e mais. Entretanto, o último filho, um menino, teve nome diferente. Como o sobrenome da família é Tomás, o pai batizou o último filho de Tomás, e o resultado foi: Tomás Tomás. Deve ser o único duplamente Tomás no mundo. Parece ficção, mas não é.

Ela me contou de muitos ciclistas que passam por ali. Dona Edelvais faz questão, mesmo quando a pousada está cheia com pessoal das mineradoras, de deixar um quarto vago “para meus ciclistas”, diz ela. Ela faz uma divisão entre ciclistas e “aventureiros”. Aventureiro é aquele que vai para a Estrada Real meio sem planejamento, na doida. Gente que chega na cidade noite fechada, sem ter mais onde comer, por exemplo.

Ela me contou a história de uma menina, novinha e bonitinha, cerca de 20 anos, que começou a Estrada em Diamantina, e lá adotou um cachorro, conseguiu prender um caixote no bagageiro, por cima dos alforjes, e trouxe o cachorro com ela. A moça, de Vitória/ES, batizou o cachorro de Atraso. Pois bem, no trajeto para Morro do Pilar anoiteceu e a moça ainda no caminho. Passou um motociclista, ela pediu para ele parar, e pediu ao rapaz que quando chegasse no Pilar, mandasse um carro, um táxi, para buscá-la, pois naquele breu ela não ia conseguir chegar. O motociclista, então, se ofereceu para ir devagar, ao lado dela, iluminando a estrada, e assim fizeram. A moça e Atraso se hospedaram na pousada de Dona Edelvais. A moça disse que toda subida ela não aguentava e subia empurrando, e na descida ela descia atabacada para compensar. É loucura, claro, pois as descidas são insanas. Dona Edelvais pediu que ela não fizesse isso, pois em uma queda ia morrer a moça e Atraso também.

Dona Edelvais contou também a história de duas moças, cerca de 30 anos, de Curitiba/PR, que pedalavam na cidade delas em bicicletas alugadas, daí ouviram falar da Estrada Real e resolveram fazer. Não pareciam ciclistas, ela disse, pareciam “meninas de escritório”. Compraram bicicletas e estrearam as bicicletas na ER. Uma delas comprou a bicicleta três dias antes de começar a Estrada. Não sei como conseguiram chegar em Morro do Pilar, mas chegaram de noite, lanhadas, descabeladas, esgotadas. Uma delas disse que nem sabia passar marcha direito e que toda vez que passava a marcha, olhava para o câmbio para ver se havia funcionado. No dia seguinte, conseguiram contratar um carro para levá-las até Ipoema, pois depois de Ipoema a ER-Caminho dos Diamantes fica mais fácil. E não sabemos mais delas.

Sobre as mineradoras, nossa conversa girou em torno do extremo mal que elas fazem ao ambiente, destruindo morros e a paisagem, consumindo toda a água dos mananciais e transformando essa água em lama, e perpetrando crimes como o de Bento Rodrigues, em Mariana. Ela confirmou o que eu já havia visto, que as mineradoras compram todas as fazendas de uma região. Tentaram comprar as terras que foram do pai dela, lá tem platina, mas ela ainda não vendeu.

Eu disse a ela que tinha visto uma jaguatirica morta, provavelmente atropelada, outro dia, e uma siriema que atravessou a estrada calmamente. Ela me disse que nas terras do pai dela tem tucanos e siriemas, e que as siriemas vem comer na mão dela, e que gostam de jabuticaba e de carne. Falou que já viu uns lobos guarás nas estradas da região.

Ela ainda me mostrou um livro enorme com fotos antigas e novas do Morro do Pilar, inclusive fotos e localização de cachoeiras, grutas e antigas minas. Foi muita prosa, sô!

Depois disso tudo, aprontei a bagagem e parti.

Durante os primeiros 15 km, o relevo é mais suave, para o padrão ER, e a estrada de terra acompanha o Rio Picão e, mais adiante, o Rio do Peixe. Depois de cruzar o Rio do Peixe é que vem a parte pesada. Ainda perto do primeiro rio, parei junto a uma capelinha que o povo da região fez e fotografei. Depois do Rio do Peixe, em uma subida, vi uma segunda siriema na estrada, bem maior e mais bonita que a anterior. Ela ia mais rápido que eu, e não vi o ponto onde ela deixou a estrada e entrou no mato. Mas fui subindo e acompanhando as pegadas dela e fotografei uma das pegadas.

As subidas são, como de costume, imensas, mas dá para subir tudo pedalando. Quando a estrada se aproxima de Itambé do Mato Dentro, lá pelos 30 km de pedal, começam as descidas.

Nesse trecho, há umas impressionantes formações rochosas. Curiosamente, fizeram uma estátua em cima de uma delas, pois dizem que ali viveu um ermitão, dentro de uma caverna formada pelas rochas. Nesse belo local rochoso, havia algo inédito na ER: um monte de gente em cima das pedras, e quando cheguei mais perto vi uns 20 carros estacionados, um cara filmando, um fotografando, e um cara manobrando um drone que flutuava sobre as rochas. Não entendi nada, nem perguntei, pensei que fosse cena de novela, e segui.

Depois dessas rochas, a estrada entra em um trecho de planura, mas não adianta, pois a estrada fica com muitos trechos de areia fofa. Nunca tem plano na ER e quando tem, vem areia fofa.

Por fim, um descidão e cheguei à Itambé do Mato Dentro. A cidade não me agradou muito, estava paradona, tem uma igreja sem atrativos. Fui passando e encontrei um Hotel-Bar-Restaurante, parei e subi para comer, era no primeiro andar, self-service, fogão à lenha. Fiz um prato bem moderado, pois não pretendia ficar ali. Havia pedalado 36 km, eram quase duas da tarde. Comi com moderação e uma Brahma garrafa. Sobremesa foi doce de batata-doce, e ainda comprei duas águas de 500 ml. Tudo deu 18 reais. A moça que me atendia disse que a diária ali era de 50 reais e sugeriu que eu ficasse, mas queria seguir. A moça me disse que o pessoal que estava nas rochas era de uma filmagem da Volvo, chamada Volvo pelo Mundo.

A saída da cidade é toda em subida imensa, mas a estrada foi asfaltada até Senhora do Carmo, 15 km adiante. Entre muitas subidas e descidas, segui para a próxima cidade. Parei, ainda, em uma capelinha muito improvisada na beira da estrada.

Cheguei à Senhora do Carmo, que é um distrito bem pequeno. Estava na dúvida em continuar, pois a próxima cidade distava 17 km de terra. No centro de Senhora do Carmo, vi a Pousada Neves, fui até lá, Dona Maria Isabel e Seu Roberto me mostraram a pousada, na verdade, quartos da casa deles, disseram para escolher o quarto, e fiquei lá, por 50 reais a diária.

0Sem título

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Pousada Indaiá

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Pousada Indaiá

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Pousada Indaiá

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Rio Picão

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Rio Picão

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Rio Picão

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Rio Picão

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Capelinha de melão

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Capelinha de melão

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Capelinha

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Capelinha

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Capelinha

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Capelinha

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Pegada de siriema

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Rio do Peixe

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Rio do Peixe

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Estrada Real