Minas Gerais: de Conceição do Mato Dentro até Morro do Pilar (29 km)

Este percurso de hoje é muito bonito e muuuito difícil, dá para ver na altimetria: verdadeiras paredes para subir e para descer. E a beleza do trajeto não se reflete nas pobres fotografias.

O café da manhã da Pousada Biá foi razoável, para os padrões dos café mineiros, pelo menos por onde eu passei. Teve pão novinho, Queijo do Serro, bananas, suco de laranja, uns biscoitos de polvilho sem gosto que mineiro gosta, e o café, o líquido, era bom.

Depois do café, a primeira providência do dia foi dar uma terceira chance para Conceição do Mato Dentro. Em vez de partir, entrei no centro histórico novamente e fui ver e fotografar as poucas edificações de destaque que sobraram. A Igreja Matriz, que é da Conceição, está em reforma, e também um casarão que vai ser museu da cidade. A Casa de Câmara e Cadeia está bem conservada. Encontrei também uma capelinha antiga e simpática, do Rosário dos Pretos.

O Santuário do Bom Jesus de Matozinhos é obra nova, da década de 30 do século 20, mas, pena, havia ali uma capela de 1750, que estava sem conservação e foi destruída. Evidentemente, esse Santuário remete ao famoso que existe em Braga, Portugal.

Depois de rever esses monumentos de Conceição, abasteci de três litros de água e parti. Sim, três litros, pois no trajeto de cerca de 30 km até o Morro do Pilar não há ponto de abastecimento, e o sol estava de rachar.

Saí de cidade, subi uma serra por rodovia asfaltada e, no topo, entrei à direita na estrada de terra para o Pilar. Daí foram cerca de 5 km só descida inclinada até a passagem pelo Rio Santo Antonio. Não apenas nesse trecho, mas em todo o trajeto de hoje, a estrada passa por muitas áreas de mata, as árvores formando um túnel, e a estrada na sombra. Também passa por muitos córregos e riachos sem nome nos mapas.

A passagem sobre o Santo Antonio é impressionante, pois nesse trecho o rio vem por um cânion, e a pontezinha é bastante precária.

É claro que depois de toda a descida até o rio, vem um monte de subidas parede. O jeito é subir, e só vai bem devagar. Os trechos dentro de mata ainda refrescavam. Depois de muita subida, um monte de descida até um outro riacho sem nome. E depois, mais paredes para subir. E nas descidas não dá para descer atabacado, pois a estradinha tem suas costelas de vaca e não quero arriscar quebrar um raio, o aro, ou mesmo o quadro, visto que a bicicleta tem a carga da bagagem.

Nas estradas de Minas não se pode ter pressa, é subir se arrastando e descer devagar. E foi assim, bem devagar, curtindo a paisagem e fotografando. Quando fui me aproximando de Morro do Pilar, já vinha decidido a ficar por ali, pois do Pilar para Itambé do Mato Dentro seriam mais 38 km sem ponto de apoio e com as mesmas ladeiras, ia ficar muito puxado.

Fui entrando na cidade pouco antes das duas tarde, e encontrei um restaurante self-service, sem balança, coma o quanto quiser, fogão de lenha e, dessa vez, sabendo que iria ficar na cidade, não usei de moderação. Comi demais, feijão tropeiro, tou viciado, macarrão e tudo o mais que se oferecia, mais uma Kaiser.

Saí de lá entupido e ainda subi uma ladeirinha boba até o centro, onde me hospedei na Pousada Indaiá, que pertence à Dona Edelvais. Perguntei a ela se o nome era por conta do filme da Noviça Rebelde. Ela me disse que achava que sim, mas que os pais dela eram gente muito simples e nem conheciam esse filme. Acontece que, a cada filho, o médico da cidade mandava os pais dela porem esse ou aquele nome. Ela imagina que o médico houvesse gostado do filme.

Estava tão cheio de comida que passei uns quarenta minutos sem conseguir me mexer. Enfim, depois, consegui tomar banho, lavar roupa e lavar a bicicleta.

Sem título

Altimetria do trajeto.

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Igreja Matriz de Conceição

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Igreja Matriz de Conceição

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Igreja Matriz de Conceição

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Futuro museu da cidade

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Casa comercial em Conceição

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Antiga Casa de Câmara e Cadeia de Conceição

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Capela do Rosário do Pretos

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Santuário do Bom Jesus de Matozinhos

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Capela do Rosário do Pretos

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Santuário do Bom Jesus de Matozinhos

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Santuário do Bom Jesus de Matozinhos

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Arrependimento

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Sai do asfalto para Morro do Pilar

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Estrada para Morro do Pilar

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Cupinzeiro

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Serras

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Proibido

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Córrego

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Impressionante Rio Santo Antonio

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Rio Santo Antonio

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Rio Santo Antonio

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Rio Santo Antonio

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Rio Santo Antonio

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Rio Santo Antonio

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Rio Santo Antonio

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Rio Santo Antonio

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Rio Santo Antonio

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Rio Santo Antonio

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Rio Santo Antonio

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Rio Santo Antonio

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Formações rochosas

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Formações rochosas

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Formações rochosas

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Formações rochosas

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Na estrada para Morro do Pilar

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Na estrada para Morro do Pilar

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Na estrada para Morro do Pilar

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Na estrada para Morro do Pilar

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Córrego

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Córrego

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Córrego

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Na estrada para Morro do Pilar

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Na estrada para Morro do Pilar

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Na estrada para Morro do Pilar

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Morro do Pilar

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Morro do Pilar

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Coma o quanto aguentar

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Minas Gerais: do Serro até Conceição do Mato Dentro (67 km)

O Serro é uma cidade pequena, belíssima e com patrimônio arquitetônico muito bem conservado. O café da manhã na Pousada do Queijo teve, entre outros itens, o Queijo do Serro, naturalmente.

O dia amanheceu limpo, céu azul e sol de rachar.

O percurso de hoje começou com os 15 km de asfalto até a cidade de Alvorada de Minas. Esse trecho é muito bonito, a rodovia de asfalto é tranquila, com pouco movimento, a paisagem bela, algumas subidas fortes.

Em Alvorada de Minas, abasteci de água e passei pelas duas igrejinhas da cidade. Daí, peguei a estradinha de terra com subidas enormes, íngremes e fortes. Trecho bastante difícil, belas paisagens.

Essa estradinha desemboca, com um descidão na MG-10, uma rodovia sem asfalto, é larga, mas é estradão de barro. É uma estrada agradável de pedalar, tem boas subidas, mas não tão fortes, a paisagem é boa, mas não surpreendente, é mais comum, campos e campos. Passam caminhões de mineradoras nessa estrada, mas sem problemas, todos se afastavam para passar, foi tranquilo.

Parei em um bar de madeira e comprei água, e perguntei ao dono se haveria pela frente, na estrada, algum lugar para almoçar. Ele deu a indicação exata: mais adiante, depois de uma ponte e uma subida, eu encontraria o Restaurante Parada dos Caminhoneiros. E onde tem caminhoneiro, tem comida boa e barata.

Encontrei o restaurante, 14 reais e comia-se à vontade, fogão de lenha, feijão tropeiro, feijão comum, macarrão, galinha, linguiça, vaca atolada, tomates. Podia repetir quanto quisesse, mas usei de moderação, já ia sair pesado de lá. Ainda tomei uma Kaiser latão, e de sobremesa, duas cocadas, a cinquenta centavos cada uma. Acompanhei a conversa de alguns motoristas que falavam dos roubos do governadores de Minas nas obras de asfaltamento de estradas.

Pesadão do almoço, voltei a subir minhas ladeiras no estradão da MG-10. Mais adiante, há uma enorme mineradora a céu aberto, do lado direito da estrada. É um troço completamente horroroso, montanhas esburacadas e retificadas. O pior é ver, como eu vi, que imensas áreas de vegetação natural e fechada pertencem a essas mineradoras. Ou seja, no futuro, mais devastação.

Em certo momento, aos 45 km percorridos, a estrada de terra vira de asfalto e começam umas subidas enormes, fortíssimas. Fui gramando essas subidas por uns dez quilômetros até um descidão que vai até a entrada para Córregos. Ali pude ver a grande serra que havia transposto. Daí em diante, até Conceição do Mato Dentro, o relevo é mais suave.

Conceição do Mato Dentro tem esse nome porque os bandeirantes que conquistaram esse território, em busca de ouro e pedras preciosas, sempre diziam “é mato a dentro, é mato a dentro”. Com o tempo, perdeu-se o “a”.

Esta cidade não tem a qualidade do Serro e de Diamantina. Conceição tem um centro histórico com pouquíssimos prédios de época conservados. É triste ver um ou outro prédio antigo e belo no meio de edificações sem nenhuma qualidade. Nem deu vontade de fotografar os poucos exemplares que restavam.

Sem título

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