Minas Gerais: de São Thomé das Letras até Cruzília (31 km)

Esqueci de contar que o interior da Igreja Matriz de São Thomé das Letras é muito bonito, em especial o teto que foi pintado por José Joaquim da Natividade, pintor oitocentista. É proibido fotografar dentro da igreja.

Esqueci de contar que, depois de me instalar na pousada em Luminárias, saio do quarto e encontro o pneu traseiro furado. O primeiro furo desde a viagem para Jericoacoara, emendando com esta. E o furo não foi causado por espinho ou semelhante. Foi a própria fita anti-furo que se moveu, ou estava mal colocada, e a lateral da fita foi marcando e cortando a câmara. Acho que consegui corrigir a posição da fita e a mantive dentro do pneu, pois ela já evitou uma porção de furos, como no Ceará, quando o pneu ficou cheio de espinhos cabeça-de-boi e não furou.

A pousada em que me hospedei em São Thomé se chama Antares. A senha do uai-fai de lá é “misticismo”. É quase tudo assim naquela cidade. Pousada das Bruxas, Ateliê das Bruxas, Pousada dos ETs, Solar das Magas, Restaurante O Alquimista. Sei não.

Bom, na Pousada Antares, o café da manhã começava às oito. É tarde para mim, mas eu é que não vou sair com fome para enfrentar dezenas de quilômetros de estrada de terra sem lugar de abastecimento. De todo modo, estava tranquilo, pois o trajeto seria de 50 km. Às oito horas eu fui para o café, um bom café, com frutas, pão de queijo e outras variedades. Uma moça, que estava tomando café, me disse que fazia observação de pássaros e, de fato, sobre a mesa dela havia um binóculo e uma câmera profissional. Ela me perguntou se eu tinha ido lá na pirâmide ver o por do sol, no dia anterior.

É que lá em São Thomé, subindo uma trilha por trás da cidade, no cume, fizeram uma pirâmide de pedra. Deve ser para os discos voadores se guiarem. E boa parte dos turistas e esotéricos sobem lá para ver o por do sol. Como, na minha ignorãça, penso que por do sol é tudo igual – linhás detesto um tal de por do sol com Bolero de Ravel, deve ser uma combinação indigesta, me dá náusea – então, não subi para a tal pirâmide. Até vi o por do sol, dali da praça da cidade mesmo. Bonitinho como a maioria deles.

Pois, então, eu disse que não fui e ela me disse, evidentemente, que foi o por do sol mais bonito que ela já viu na vida dela. Perdi essa! Ela disse que os raios do sol curvaram-se de uma forma nunca vista, de oeste até o leste.

Depois do café e da arrumação da bagagem, saí lenta e calmamente da cidade. O dia amanheceu nublado e com um vento forte e frio.

Cheguei em São Thomé subindo a serra pelo asfalto e saía descendo a serra, pelo outro lado, por estrada de terra. Como se pode ver na altimetria e no trajeto, após descer a Serra de São Thomé, aparece de imediato a subida de uma outra serra, não sei o nome, quase uma duplicata de São Thomé.

É subida longa e lenta. No topo há um mirante, a paisagem é muito bonita, vê-se toda a região à frente e a própria serra atrás. Na encosta das serras, algumas edificações bem esquisitinhas, circulares e com domos. Passei pela porteira de um sítio onde estava escrito: “Só quem Jah quiser. Fora Babilônia!”. Como eu não sou da tribo de Jah, devo ser de Babilônia, e dei o fora rapidinho.

De todo modo, a pedalada corria bem lenta, pois o relevo era bem puxado, mesmo depois de descer a segunda serra. Por volta do km 12, pneu dianteiro furado em uma subida. Achei um lugarzinho na sombra e troquei a câmara. Novamente, não foi um furo. A câmara, uma tal de Rubena que não fui eu quem comprou nem colocou, deve ter sido algum mecânico, era uma câmara fina, de baixa qualidade, e ela abriu no local de uma emenda. Aproveitei a parada para verificar, apertar e recolocar alguns arames do bagageiro.

Nessa lenteza da estrada, deu meio-dia, então parei e fiz um lanche com meus biscoitos Passatempo e água. Quando estava me aproximando de Cruzília, já dava para ver, ao longe, por trás da cidade, a enormidade da Serra da Mantiqueira.

Cheguei em Cruzília e decidi parar por lá, a cidade seguinte ainda estava longe. Almocei em um self-service e encontrei a Pousada Cruzília, muito boa, quartos novos e grandes e um precinho excelente, 60 reais. No trajeto por dentro de Cruzília, não vi loja de bicicleta nem borracharia. Preciso comprar câmaras ou consertar as duas que furaram. Vamos ver se resolvo isso amanhã. Essas cidadezinhas tem o bom costume de fechar tudo aos domingos.

P.S.: Minha querida Elis é hors-concours entre os leitores-comentadores, seja no blog, seja no uaitizap. Ela analisa cada foto e anota cada acontecimento!

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São Thomé – Cruzília
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São Thomé
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Cruzília
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2 thoughts on “Minas Gerais: de São Thomé das Letras até Cruzília (31 km)

  1. Mas e Joaquim, continua Natividade de pintura?

    E essa fita anti-furo não sabe a função dela não é? Avisa a ela que ela tá fazendo errado.

    Vi a foto do passarinho 🐦. Roubou o binóculo da observadora foi?

    Além da galera de Jah também pode entrar judeus. Não viu a estrela de Davi? As bruxas e ets também são permitidos.

    Eu sou ocucô. Aquele passarinho dos relógios. 🕰

    Eu, fosse Tomé, deixava ninguém colar figurinha na minha placa.

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