Minas Gerais: do Santuário do Caraça até Catas Altas (40 km)

D. Pedro II disse, em 1881: “Só o Caraça paga toda a viagem à Minas.” Tenho a impressão de que ele estava certo. Posso até dizer que, se você só puder escolher um único lugar para conhecer, em Minas, escolha o Caraça.

O Santuário do Caraça não é uma pousada ou hotel comum. É um lugar bicentenário e, ao mesmo tempo, modernizado, frugal, simples, austero, confortável, acolhedor, silencioso. É uma experiência. Além de ficar hospedado em uma instituição religiosa, independentemente de se ter ou não uma religião, a Serra do Caraça e a área de preservação são magníficas. Há muitas trilhas a pé que podem ser feitas, inúmeros riachos e cascatas e locais para banho (a água é gelada) e a exuberância da vegetação e da fauna. Algumas trilhas, as que conduzem à grutas e picos, só podem ser percorridas com o acompanhamento de guias. Você pode passar uma semana no Caraça e não esgotar suas possibilidades de conversas, encontros, passeios, paz e meditação para quem quiser.

Lá encontrei diversas pessoas que estavam na sua quarta ou quinta visita ao Caraça. Encontrei pessoas anti-religiosas que, ainda assim, admitiam que há uma atmosfera diferente no Caraça. Encontrei ciclistas, caminhantes, viajantes contumazes e alguns padres da ordem que administra a Reserva. Conversei com muitos deles e essa diversidade impressiona.

O café da manhã ocorre em um refeitório diferente, menor que o do almoço/jantar. Talvez pela menor dimensão, as pessoas ficam mais próximas e as conversas se multiplicam. Chego a pensar que esqueci de comer adequadamente para conversar. Em primeiro lugar, quem viu o guará, a minoria, está ainda impressionado. Quem não viu, fica puto porque foi se deitar. Gente que vai embora sem ter visto e gente que ainda fica mais um dia para tentar. Tem gente que só conseguiu ver na terceira visita ao Caraça. Um rapaz que não viu ontem, me contou que viu em outra visita às quatro horas da madrugada.

Conversei com um casal de ciclistas que estava viajando de carro, levando as bicicletas, e que pedala em trilhas nas cidades que visitam. Conversei com um casal que, por acaso, esqueceu de visitar, em Ouro Preto, o Museu do Oratório, um dos melhores museus que já tive a oportunidade de conhecer. Conversei, conversamos, em grupos, com uma moça que mora em Carrancas/MG, cidade da Estrada Real Caminho Velho, por onde passarei, que dizia que Carrancas é a mais bela cidade e região da ER. Ela indicou uma pousada e um lugar para comer. Conversei com Laura, a bióloga, sobre os campos rupestres da Serra do Cipó, sobre plantas e aves e caminhadas.

Evidentemente, saí tarde de lá, quase dez da manhã, entretanto eu já havia previsto um percurso menor neste dia, imaginando que dormiria pouco esperando o guará.

Os três últimos dias tem sido muito frios e nublados, então a descida da Serra do Caraça foi de frio cortante, mesmo vestido com o corta-vento. Passei da portaria, mais à frente fotografei a Capela de São José e, logo após, saí do asfalto para a estrada de terra. O relevo é suave e a estrada é bonita e agradável. Muitos km adiante cheguei a um ponto relevante da ER: o Bicame de Pedra.

O Bicame foi um aqueduto construído com a força dos africanos escravizados para fornecer água da Serra do Caraça às fazendas e ao povoado Quebra Ossos. O Bicame foi construído com pedras empilhadas, sem argamassa. Hoje existe apenas um pequeno trecho do Bicame. Nesse trecho, ainda se encontra uma escada de pedra e a pedra que marca o ano de construção, 1792. É um lugar e uma obra impressionantes.

Depois do Bicame, a rota passa perto de uma ferrovia e, pouco depois, adentra a cidade de Catas Altas. O nome da cidade se deve ao fato de que os garimpos (catas) eram localizados no alto das encostas da Serra do Caraça, por isso Catas Altas. É interessante observar, também, que em Catas Altas nós estamos do outro lado da Serra do Caraça e que o próprio Santuário está em frente da cidade, só que encoberto pela Serra.

Catas Altas é uma bela e antiga cidade, com uma grande e bonita igreja matriz. Deixei para visitar a igreja no dia seguinte, de manhã. Cheguei na cidade, dia continuava frio, encontrei um self-service sem balança que ainda estava aberto, almocei e fui procurar pousada. Passei em três que estavam lotadas com pessoal das mineradoras, até que encontrei vaga na Pousada Casa Pietá e fiquei.

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Trajeto
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Refeitório almoço/jantar no Caraça
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Refeitório almoço/jantar no Caraça
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Caraça
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Estrada Real
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Bicame de Pedra
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Catas Altas
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Catas Altas
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Catas Altas
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Catas Altas
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Catas Altas
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Catas Altas
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Catas Altas
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Catas Altas
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Catas Altas
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3 thoughts on “Minas Gerais: do Santuário do Caraça até Catas Altas (40 km)

  1. Menino, pense na lindeza que é esse Caraça. Maior vontade de conhecer.
    E essa Bicama de Pedra, impressionante. :O

    Frio só de imaginar. E na noite do lobo guará então… Oxe!

    Liked by 1 person

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