Minas Gerais: de Cocais até Barão de Cocais (20 km)

Em geral, os dias têm sido de sol forte, vento frio ou gelado, baixa umidade do ar. As noites têm sido frias, bem frias. Nenhuma das pousadas em que fiquei possuía ar-condicionado, não precisava já que havia o ar-condicionado natural. Algumas nem tinham ventilador e, quando tinham, eu não precisava ligar. Uma única noite fez calor, abri a janela e o quarto esfriou. Não existe muriçoca por aqui, até agora.

A diária da maioria das pousadas tem sido de 50 reais, a qualidade varia, mas o valor fica entre 50 e 70 reais. Em quase todas as cidades tenho encontrado excelente comida mineira em self-service sem balança, o que é uma tentação para comer mais do que o recomendável.

O café da manhã das pousadas é fraco, em geral, muitos pães e queijos e pouca fruta.

Hoje, em Cocais, o café da manhã foi bom: melancia, mamão, pão de queijo quentinho, queijo do Serro, bom café, sucos, etc. O dia não estava tão quente, um pouco nublado. Saí da pousada e dei mais uma volta pela cidade, bem piquititinha. Passei por um senhor que estava na frente do Bar do Tonhão e ele perguntou se eu estava fazendo a Estrada Real, respondi que sim, ele perguntou: sozinho?, eu disse sim e ele disse Nó!

Depois de visitar novamente a igreja matriz, saí da cidade e comecei as subidas de terra. Percebi, agora, junto aos Marcos da Estrada Real, os marcos do CRER – Caminho Religioso da Estrada Real. Ou não percebi antes ou não havia, não sei. Esses marcos do CRER são bem bacanas pois apresentam a distância exata para os dois lados da estrada.

Os marcos da Estrada Real apresentam, nas suas placas, curiosidades, detalhes sobre a região e, às vezes, até alguma poesia de poetas mineiros famosos, como Cecília Meireles.

Então, seguindo os marcos fui subindo e subindo. Apesar de curto, o trecho é bastante difícil, pois são cerca de 8 km com subidas fortes, saindo de 700 para cerca de 1200 metros de altitude. Muitas subidas eram íngremes e com pedras e cascalho. Quando a bicicleta entrava no cascalho, não dava mais tração e tinha que empurrar.

Entretanto, é um percurso muito bonito, pois a estrada segue por dentro de trechos de mata natural e mata de eucaliptos.

Como sempre, a pedalada de viagem é uma forma de meditação, e eu vinha concentrado em meus pensamentos. Pensava, brincando, que o Brasil deve ter a maior frota de aves do mundo, pois, aqui na ER, era enorme a quantidade de pássaros, aves de todos os tamanhos que eu via. E ainda maior a quantidade das que eu apenas escutava. O tempo todo sou acompanhado pelos mais diversos sons de aves. Eu vinha pensando nisso porque havia passado por uma grande árvore, em uma subida, e duas aves de rapina, grandes, não sei se gaviões, falcões, sei lá, ficaram agitadíssimas, voando em círculos e fazendo barulho, um barulho forte, metálico, acho que produzido pelo bater do bico. Essas aves estavam, na minha opinião, defendendo o ninho da minha presença.

Pensava nisso e pensava, também, que os mamíferos eram mais difíceis de ver. Tinha visto apenas alguns saguis. Exatamente nesse momento, fiz uma curva e havia na estrada dois cervos filhotes. Um deles correu para a esquerda da estrada, outro correu para a direita e parou. Ficou me olhando, imóvel. Pude pegar a câmera e fazer um monte de fotos dele. Deixei-o em paz e segui.

Depois de todas as subidas, já se pode ver ao longe a cidade de Barão de Cocais e, ao fundo, a impressionante Serra do Caraça. Na descida, passei pelo altíssimo viaduto da EFVM – Estrada de Ferro Vitória Minas.

Cheguei em Barão de Cocais por volta do meio-dia. Almocei em um self-service e fui visitar a belíssima Igreja de São João Batista, que se acredita ser uma planta do Aleijadinho. Também a imagem do santo no frontão e o pórtico, ambos em pedra sabão, parecem ser do Aleijadinho. Acredita-se que a pintura do teto é do Mestre Ataíde. Monumento encantador.

Por tudo isso, decidi ficar em Barão de Cocais, para ver novamente a igreja por dentro, à noite.

Perguntei na praça a um cidadão onde encontrar um hotel ou pousada. Ele perguntou: você quer o melhor ou…? Meio receoso do preço do “melhor”, ainda assim disse que queria o melhor. Ele indicou o caminho e fui para lá. Era mesmo um bom hotel e a diária era 60 reais, dentro do padrão ER.

Amanhã, farei a subida da Serra do Caraça.

Após as minhas fotos, coloquei duas fotos da Igreja de São João Batista encontradas na internet, melhores do que aquelas que tentei tirar: uma do santo em pedra sabão de Aleijadinho e outra do teto de Mestre Ataíde.

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3 thoughts on “Minas Gerais: de Cocais até Barão de Cocais (20 km)

  1. Gostei do teto com o raminho esculpido e do de Ataíde.
    E o Bambi, que lindo!
    E aquele sítio arqueológico? Como é minin? Há seis mil anos que gente se diverte lá? :O
    Muito bonitas as esculturas em Pedra Sabão.
    Imagino ficar num lugar assim. Sem o barulho da cidade. Só Mato e animais. E sem mosquitos? Ô trem bão sô.

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