Minas Gerais: de Diamantina até o Serro (64 km)

Não existe dia fácil para o cicloviajante nas terras mineiras, em termos de altimetria. É sempre subir e subir. Hoje, além das inevitáveis serras, tive o primeiro dia de chuva leve e chuvisco, e um vento contra, frio, cortante e forte, na primeira metade do trajeto.

Depois do café da manhã da Pousada Dona Dazinha, saí pelo centro histórico de Diamantina, pelas ruas de pedra solteira, até começar a estrada de terra. Agora, como estou no Caminho dos Diamantes da Estrada Real, encontro os famosos marcos da ER vez em quando. O primeiro marco logo ali onde termina o calçamento e começa a terra, na saída da cidade.

A rota de hoje passava pelas localidades de Vau, São Gonçalo do Rio das Pedras, Milho Verde, Três Barras e chega ao Serro.

A estrada de terra está sendo asfaltada, então durante os primeiros 20 km, encontrei terra, calçamento de pedras e trechos de asfalto. Passei por muitos trechos onde caminhões e tratores estavam trabalhando. Foi bom ver, no horizonte, o Pico do Itambé, o ponto mais alto da região. Durante muitos km eu o via, às vezes ao lado, às vezes na minha frente.

O dia havia amanhecido com névoa e foi se fechando cada vez mais. Começou a chuviscar, depois veio chuva fina acompanhada de um vento frio e forte. Meus dedos estavam endurecendo com o frio, e eu até mesmo evitava tirar a câmera para fazer fotos. Foi o primeiro dia de chuva e de frio intenso, e fui obrigado a vestir o corta-vento pela primeira vez.

O trajeto vai em sobe e desce até lá pelos 20 km, quando a estrada começa a descer para o Vale do Jequitinhonha. Esse trecho é muito bonito e ainda intacto, os caminhões e o asfalto ainda não chegaram por lá. Chega-se à localidade do Vau, uma região bela e calma, e mais adiante, passa-se a ponto sobre o Jequitinhonha. Esse trecho tem subidas e descidas muito íngremes. Um carro sedã que havia passado por mim, não estava conseguindo subir uma ladeira. Havia muito talco e ele derrapava em cada tentativa. O carro desceu de ré toda a ladeira para tentar de novo e eu aproveitei para passar. Mais à frente, mais subidas com talco.

Trecho bem difícil até chegar na bela localidade de São Gonçalo do Rio das Pedras. Já perto de São Gonçalo, o sedã passou por mim, novamente. Cheguei em São Gonçalo e fui direto para o Bar e Restaurante do Ademil, já famoso na Estrada Real. Lá tem um almoço delicioso no fogão de lenha. Parei no Ademil e encontrei o pessoal do carro sedã, um casal, ele gordo, ela bonita, e o filho deles. Conversamos e eles disseram que o menino disse que na próxima vez quer ir de bicicleta, de carro é muito ruim.

O fogão à lenha quentinho, a sala confortável, o almoço supimpa, a paisagem da janela, e ainda uma cervejinha Brahma gelada. O almoço é preço único e pode se servir quantas vezes quiser. Usei de moderação, pois ainda havia muito chão pela frente. Seu Ademil estava lá e conversamos um pouco sobre a viagem, a comida e o fogão. São Gonçalo é um lugar muito bonito, entre rochas, cheio de pousadas e de lugares para comer. Parece, eu senti algo assim, que o povo da região é meio místico, como o pessoal da Lapinha da Serra. Algo como a força que emana das montanhas, sei lá. Um morador de lá, que estava no bar, convidou para descansar na casa dele, tomar um café, mas recusei.

Estava ainda muito frio, eu havia percorrido apenas 34 km, até pensei em ficar ali em alguma pousada, mas achei melhor seguir.

Segui por estrada de terra até Milho Verde, que é uma localidade também bonita, ao lado de um paredão rochoso. Há muitas pousadas e bares e artesanatos em Milho Verde, mas a maioria estava fechado, ao contrário de São Gonçalo, onde tudo estava funcionando. Depois de Milho Verde, a estrada é de asfalto, e é um sobe e desce desgramado.

O dia ainda estava nublado, mas não chovia. Não usava mais o corta-vento, pois dava um calor danado na subida, entretanto aguentava o frio das descidas. Eram subidas imensas entre serras. O dia nublado e vi uma placa: Pico do Raio. Apertei o passo para sair de perto dali. Mais adiante, subi a Serra do Cruzeiro, impressionante formação rochosa. Depois dessa serra, uma descida monstruosa que me deixou pertinho do Serro. Um subidão e adentrei a cidade.

O Serro é uma das mais belas cidades da Estrada Real. Montanhosa, belas igrejas, edificações antigas conservadas. Além disso, é aqui que se faz o também famoso Queijo do Serro, um produto que é Patrimônio Cultural do Brasil.

Encontrei a Pousada do Queijo. De início, não havia vaga, mas a moça telefonou para uma pessoa que havia feito reserva e ainda não chegara. A pessoa disse que não iria mais e o quarto ficou para mim. Lavei a bicicleta no quintal da pousada, a bichinha estava em petição de miséria. Depois, entrei no banho de roupa, lavei a roupa no corpo, saiu o caldo preto e vermelho de barro e chuva e pó e talco.

Passeei um pouco pela cidade e depois fui experimentar a comida do Restaurante Vila do Príncipe. O PF com feijão tropeiro custa 10 reais, com o excelente atendimento das moças de lá. Atenciosas, falando mineirês, conversamos sobre o Serro, sobre Diamantina e sobre a viagem. Ainda conheci lá um rapaz de Santa Bárbara, cidade da Estrada Real e conversamos um pouco. Por fim, recolhi-me à Pousada do Queijo.

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4 thoughts on “Minas Gerais: de Diamantina até o Serro (64 km)

  1. “Respeite nossos costumes”.

    Fizesse o sedã comer poeira.

    Só eu vendo o pai do menino aguentar o tranco. Ele morria só de olhar a subida.

    Mas rapaz, seja hospitaleiro e aceite o cafezim da próxima vez. ;P

    Traga um queijo desse aí pra mim.

    Liked by 1 person

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