Final da cicloviagem e dias em Jijoca (CE)

Bom, nossos últimos dias de férias foram usados para aproveitar e conhecer parcialmente a região em torno de Jijoca de Jericoacoara.

Na segunda-feira, fui até o centro da cidade de bicicleta, de manhã cedinho, mas voltei logo, ansioso para curtir a Lagoa de Jijoca. Então, eu e Bagaceira saímos para uma caminhada pela margem da Lagoa. Não dá para descrever como é a bela a Lagoa e seu entorno. Águas límpidas e transparentes, areia branquinha, redes dentro d’água, alguns poucos bares e pousadas nas margens. Andamos durante muito tempo, mergulhando nas águas vez em quando, e ainda assim não chegamos a completar um lado inteiro da Lagoa, ela é muito grande. Fizemos o percurso de volta e almoçamos na beira da lagoa, no restaurante da pousada em que estávamos, a Flambaião. O restante da tarde, ficamos “jacaré-coarando” na beira da lagoa.

No final da tarde, Diego, o proprietário da pousada, propôs um passeio até a vila de Jericoacoara. Fomos, todos os hóspedes, cerca de nove pessoas, com Diego e o filho dele, Felipe, até a vila. Foi bom, entre outras coisas, para comprovar que não dava para ir até lá de bicicleta. Para chegar na vila e praia de Jeri, há uma estrada de calçamento de pedra por cerca de 10 km, daí se entra no Parque Nacional, e a estrada é de areia fofa entre dunas por cerca de mais 10 km. Além disso, há inúmeras bifurcações, pois são muitas trilhas dentro do Parque. Esse trecho do Parque é belíssimo, parece um deserto com enormes dunas, verdadeiras paredes de areia.

Na vila, fomos até a praia, há uma duna à esquerda bem na beira-mar, na qual as pessoas sobem para ver o pôr-do-sol, um formigueiro de gente lá em cima. Depois, passeamos pela vila, que tem todas as ruas de areia fofa, não há calçamento. Entretanto, esse clima rústico é quebrado pelas lojas e restaurantes. Jeri parece um shopping com ruas de areia. De todo modo, comemos excelentes tapiocas na Casa da Tapioca. Voltamos à noite, por entre as dunas, mas, claro, Diego conhece todos os caminhos por ali.

Na terça-feira, saímos da pousada e fomos para a estrada tentar pegar um transporte para Jeri. A ligação entre Jijoca e Jeri é feita por veículos D-20, Hilux e Toyotas adaptados, com bancos na carroceria para transportar passageiros.

As D-20 que passavam para Jeri estavam cheias e não paravam, então a gente foi caminhando em direção ao centro. Por sorte, encontramos uma D-20 vazia estacionada e pegamos. O motorista ainda foi ao centro procurar mais passageiros, e encontrou uma família que subiu a bordo, e fomos todos para Jericoacoara. Novamente, admiramos a incrível beleza das dunas do Parque Nacional.

No centro de Jeri, compramos água mineral de 1,5 litro, descemos à praia e começamos a caminhada para conhecer a Pedra Furada. A distância entre o centro de Jeri e a Pedra Furada é cerca de 3 km. Dá para ir pela praia, com alguma dificuldade por conta de pedras, apenas na maré baixa. A maré ainda estava baixando. Seguimos um trecho pela praia e, no início das pedras, subimos o morro que eles chamam de Serrote. A vista de lá de cima é belíssima. Muitos turistas não vêem ou conhecem esse trecho e esses panoramas, pois a maioria vai de D-20 ou Buggy até perto da Pedra.

Seguimos por cima do Serrote, parando a todo instante para admirar a fantástica paisagem de pedras e mar lá embaixo. Nessa caminhada pelo Serrote, Bagaceira começou a se achar a própria Noviça Rebelde e a cantar Edelweiss e rodopiar pelas colinas. Aproximadamente na metade do caminho já dava para ver a Pedra Furada no limite da curva da praia. Nesse ponto, descemos para a praia pelo meio de uma duna, afundando os pés na areia quente. A Noviça Rebelde desceu cantando e fazendo algum tipo esquisito de palhaçada. Claro, observe-se, que nós estávamos de tênis e de camisas de manga longa e chapéu, para nos protegermos do sol e das pedras.

Continuamos pela praia pois esse trecho é um pouco mais fácil, mas as pedras ainda são enormes e há que subir, descer e passar entre elas. Dessa forma, descobrimos uma outra pedra furada em miniatura, passamos por dentro dela, e mais adiante, uma passagem entre pedras que se apoiavam umas nas outras. Dava medo pensar que elas ainda podem, um dia, se mover. De qualquer forma, essa paisagem é deslumbrante.

Chegamos à Pedra Furada, uma formação geológica que impressiona, admiramos o lugar e iniciamos o retorno. No ponto em que descemos para a praia, decidimos não subir o Serrote e continuar pela praia, a maré estava baixa e ainda baixando. Entretanto, mesmo com maré baixa, esse trecho é difícil de fazer. Pedras afiadas, grandes, irregulares, às vezes escorregadias. Às vezes, conseguíamos passar pelo mar, com água no joelho, às vezes por entre as pedras, procurando o trajeto menos difícil.

Cruzamos esse trecho mais pesado, chegamos ao mais fácil e depois à praia central de Jeri. Calculamos que levamos três horas de ida e volta. Almoçamos em um restaurante na praia, passeamos pela vila chique, compramos filme plástico em um supermercado para embalar as bicicletas, e pegamos uma D-20 para voltar à nossa Lagoa de Jijoca.

Na quarta-feira, a gente só queria aproveitar a Lagoa. A paisagem natural do percurso até a Pedra Furada é belíssima, mas a vila de Jeri é artificial, badalada e agitada. Isso nos deu saudade da paz e tranquilidade da Lagoa. Passamos a quarta-feira “jacaré-coarando” na Lagoa, nas suas margens, nas suas águas e redes. No final da tarde, desmontei e embalei as duas bicicletas com filme plástico, para o voo de volta a Recife. À noite, jantamos no Flambarzinho, o belo e simpático bar da pousada. Enfim, voltamos para Recife em um voo da Azul com nossas bicicletas embaladas, com tranquilidade.

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