21º dia: Lagoinha – Icaraí de Amontada (CE) (77 km)

Um dia surpreendente, divertido e um pouco difícil. Café da manhã e abastecido com três litros de água, partimos da praia de Lagoinha. A maré estava secando e já dava para pedalar pela areia. A hora da maré mais seca seria às 12:45, o que nos dava bastante tempo de pedal pela praia. As areias iniciais eram duras e pedaláveis. O forte vento a favor também nos ajudava.

Chegamos ao Rio Trairi, havia a possibilidade de cruzá-lo carregando bicicletas e alforjes separadamente, mas vimos a balsa pouco mais acima e fomos até lá. Não havia ninguém para manejar a balsa e fazer a travessia. Percebemos que a balsa era de um tipo que corria ao longo de uma corda de nylon que atravessava o rio. Entrei na água, pelo joelho, e fui buscar a balsa que estava no meio da travessia. O mecanismo é simples, a pessoa puxa a corda que passa por duas roldanas e a balsa se movimenta. Levei a balsa até a margem, Bagaceira subiu para segurar a balsa, pois a correnteza do rio a movimentava, coloquei as bicicletas em cima, e nós dois puxamos a corda para levar a balsa para a outra margem. Se a gente não usasse luvas, teria sido ainda mais difícil, pois a balsa era bem pesada. Baga inventou que aquela era uma balsa self-service.

Terminamos a travessia e descemos as bicicletas, quando chegou na margem do rio em que estávamos um carro carregado de equipamentos de kitesurf no teto. O pessoal cumprimentou e vimos que estava escrito na lateral do carro “Fugindo do Frio Kitesurf”. O carro fez a travessia e nós seguimos. Veio outro carro da mesma maneira e com a mesma frase na lateral. O pessoal parou para nos fotografar e perguntar detalhes da viagem. Eles eram do Rio Grande do Sul e estavam fugindo do frio viajando pelo Ceará e praticando o kite.

Passamos pelas praias de Guajiru, Flecheiras, Emboaca, todas com bares, pousadinhas e turistas, e chegamos à Mundaú. No trajeto, o vento fortíssimo nos empurrava e, junto com a gente, rios de areia branquinha seguiam na direção do vento. Tiramos várias fotos tentando captar o efeito disso, mas só se percebe vendo acontecer. A areia é soprada fortemente e viaja pelas praias.

Chegamos à foz do Rio Mundaú, muito largo e profundo mesmo na maré baixa, e vimos que a balsa ficava mais acima, subindo o rio. Entramos pelas ruas da cidade até encontrar o caminho para a balsa. Passamos por um grupo de éolicas na estrada de barro e descemos para a margem do rio.

O rapaz da balsa nos disse que o Mundaú tem um curso de 173 km e que os barcos de turismo sobem o rio até os manguezais, cerca de 4 km acima. Do outro lado, ainda margem de rio, areia muita mole, não dava para pedalar, empurramos um trecho. de volta ao mar, areia dura e voltamos a pedalar com facilidade.

Chegamos cedo na praia da Baleia, na hora da maré mais baixa, 12:45. A Baleia é uma localidade bem simples, algumas pousadas e poucos atrativos, não seria agradável passar a noite ali. Decidimos comer qualquer coisa para enganar o bucho e seguir. Paramos na barraca Chico do Caranguejo, cujo dono se chama Chico, e ele copiou exatamente a marca do famoso Chico do Caranguejo da praia do Futuro em Fortaleza. Comemos bolinhos de peixe e tomamos duas cervejas e seguimos.

O vento até parecia mais forte, dava para ficar sem pedalar por longos trechos, só o vento levando, e a areia era dura o bastante. Foram cerca de 20 km assim nessa belezura. Passamos pelas praias de Apiques, Caetano de Cima e Caetano de Baixo. Então chegamos a um trecho difícil, uns três km de pedras e areia fofa. Não havia o que fazer, apenas empurrar. Depois de muito penar, acabaram as pedras e a praia ficou boa para o pedal novamente.

Assim chegamos à praia de Icaraí de Amontada, bem mais bonita, desenvolvida e agradável que a Baleia. No início mesmo da vila, havia uma bela pousadinha de beira de praia. Acertamos o preço e o quarto, limpamos os alforjes que estavam cobertos de areia, lavamos as bicicletas e sapatos, guardamos tudo e fomos almoçar de verdade. No restaurante da pousada, a responsável pela comida é Dona Ivone. Ela preparou um delicioso peixe ao molho de maracujá para nós. Passeamos um pouco pela praia, descansamos e, à noite, voltamos ao restaurante para provar novamente da boa comida de Dona Ivone.

Este foi um dia bem especial, pois é difícil conseguir fazer um trajeto tão longo, 77 km, totalmente pela areia da praia.

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