16º dia: Canoa Quebrada – Morro Branco (CE) (90 km)

Viajar longas distâncias de bicicleta é um processo que envolve paciência, meditação, resistência. Além disso, há muitos condicionantes e variáveis envolvidos, as rotas possíveis, a hora da maré, a hora da fome, lugar para dormir. Hoje, por exemplo, foi um dia cheio de tudo isso que citei.

Antes do café na Pousada Lua Morena, em Canoa Quebrada, troquei a câmara da bicicleta de Baga, que havia furado na chegada à Canoa. O motivo foi, novamente, um espinho cabeça de boi. Durante o café da manhã, conhecemos uma holandesa, ela veio conversar com a gente, perguntar sobre a viagem, admirada com o nosso trajeto até agora. Depois do café, arrumamos toda a bagagem, os quatro alforjes e fomos sainda da pousada. A amiga holandesa veio até a entrada para fazer uma fotografia nossa. Desejou boa viagem e partimos, subindo a Broadway, a rua principal de Canoa. A cidade estava ainda dormindo, vazia, cansada da badalação noturna, fizemos fotos na rua vazia.

Depois de Canoa Quebrada há dois rios grandes para atravessar e não há barcos para a travessia. O Rio Jaguaribe e o Rio Pirangi condicionam a viagem para quem sai de Canoa, mesmo com maré baixa não dá para ir pela praia. Portanto, pegamos a rodovia e seguimos em direção à Aracati e à ponte sobre o Rio Jaguaribe, depois da cidade. Isso significa um grande contorno. Muitos quilômetros adiante, antes da ponte sobre o Rio Pirangi, novo pneu furado de Baga e, novamente, um espinho cabeça de boi. Trocamos a câmara em uma das raras sombras da rodovia.

Depois do Rio Pirangi, a gente decidiu descer até a praia de Parajuru. A gente sabia que a hora da maré mais baixa já havia passado, mas descemos para ver se ainda dava para aproveitar algo e fugir da rodovia. Em Parajuru, dava para pedalar pela areia, pois a praia ali é larga e batida. Seguimos até a praia de Canto Verde sem muita dificuldade. Entretanto, nessa praia a maré já estava ficando alta demais. Canto Verde é um lugarejo muito pobrezinho, uma praia bonita, mas sem nenhuma infraestrutura. Havia dois ou três bares pouco simpáticos, mas estavam cheios, a gente estava com fome, fui até um deles, o melhorzinho, perguntei se tinha peixe frito, o rapaz disse que o peixe havia acabado, eles não estavam esperando muita gente naquele dia.

Maré alta, sem comida, decidimos seguir pela estrada asfaltada que liga Canto Verde à rodovia principal. Nesse percurso, Baga comeu duas bananinhas que ela ainda tinha guardadas. Na rodovia principal, CE-40, seguimos sem encontrar restaurante ou loja de conveniência. Enfim encontramos uma banca de frutas na beira da estrada, paramos e comemos uma melancia quase toda, deixamos só um pedacinho. Conversamos com o rapaz da banca sobre a viagem, o calor, os cajus, as abelhas. Compramos castanhas e ele nos deu água mineral geladinha, pois a nossa estava acabando.

Seguimos pela rodovia, que tem acostamento, mas não é a melhor opção, pois muito barulhenta, evidentemente. Mais adiante, paramos em uma loja de conveniência, fizemos um lanchinho bobo, castanhas, biscoitos, refrigerantes.

Enfim, saímos da CE-40 e entramos em estradas mais tranquilas no município de Beberibe. É lá que fica a bela praia de Morro Branco, nosso destino do dia. Chegamos na pousada, trocamos de roupa, já dei um mergulho na piscina, e saímos para conhecer o Monumento Natural Falésias de Beberibe, mais conhecido como Labirinto das Falésias. É que em Morro Branco, as falésias foram extremamente desgastadas por vento e água, e entre elas criaram-se verdadeiros labirintos, quase como diversos canyons, só vendo para saber como é.

Passeamos e fotografamos por cima das falésias, mas, claro, com medo da altura das falésias, e sem chegar muito na borda, vai que é o dia de cair mais um pedacinho de falésia.

Por fim, descemos no labirinto e desembocamos na praia, voltamos para a praia central de Morro Branco e, finalmente, comemos uma deliciosa moqueca de arraia, com cervejas geladinhas e caipiroscas.

O dia foi bastante puxado, pois não há praias com infraestrutura adequada entre Canoa e Morro Branco, então o jeito foi comer os 90 quilômetros de uma vez só.

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