De Bonito e montanhas

Não consigo enumerar todas as vezes em que percorri as estradas rurais do município de Bonito, mas penso que não foram tantas assim. Algo em torno de cinco. Apesar da repetição, nunca foi cansativo ou sem interesse, visto que a região tem aquelas montanhas rochosas e matas fechadas. Não li qualquer estudo geográfico sobre a região, mas, para mim, é magnífica uma única pedra que, por si só, constitui uma montanha. Bem, algumas montanhas ali me parecem uma única pedra. Imagino quais processos cataclísmicos ou vulcânicos, ou quais forças tremendas, convergiram para aquela topografia.

Recordo que a primeira vez em que estive lá, não conheci a Pedra do Rodeadouro, local que hoje considero indispensável. Nem mesmo sabia da sua existência. Fomos eu e Flávio. Nas semanas antes da ida, busquei informações sobre as cachoeiras de lá e ninguém sabia dar informação aproveitável. Saímos cedinho de Recife, no carro de Flávio, estacionamos perto da Prefeitura, pensando ser mais seguro, pedimos ainda mais alguma informação, mas havia gente que nem sabia das cachoeiras. Pelo menos, alguns nos deram a direção geral. Pedalamos pelos paralelepípedos, subindo e subindo. Lá em cima, fim do calçamento e a rodovia era de barro. Encontramos a descida para a Cachoeira Véu da Noiva, havia uma plaqu inha, penso, e descemos, ali por onde subimos desta vez. Um adendo: diz-se que Véu da Noiva é o nome mais comum de cachoeira no mundo, inclusive em outras línguas. No meio da descida assustadora, vimos ao longe a Véu da Noiva. Descemos tudo e procuramos algum caminho que nos levasse até perto dela. Fomos pelo meio do mato, por picadas, não havia nada de cercas e propriedades, era tudo terreno aberto e ninguém havia atinado para o turismo. Deixamos as bicicletas em uma encosta e forçamos caminho até o pé da Véu da Noiva. Vimos o ponto onde a água bate ao descer. Voltamos e decidimos procurar uma subida pelo lado da cachoeira, para chegar ao topo. Conseguimos, chegamos lá em cima, fizemos fotos, olhamos o despenhadeiro, dava medo, e víamos nossas bicicletas lá longe. Descemos e continuamos até a Barra Azul e depois até uma cachoeirinha menor que não sei o nome até hoje. De fato, de todas as sete, oito ou dez cachoeiras hoje tão faladas, penso que as únicas que valem a pena conhecer são a Véu, a Barra Azul e a Pedra Redonda.

No passeio com Flávio, comida não havia onde comprar e a água acabou. Bebemos a água dos rios, fazia sol. Depois da Barra Azul, eu e Flávio começamos a penosa subida de volta, mais ainda do que hoje porque a gente era pouquíssimo preparado. Flávio, especialmente, chegou morto lá em cima. Além de tudo, ele tinha ido de Caloi 10. Foi muito demorado o retorno para o centro da cidade. Por fim, comemos algo e voltamos para Recife, onde chegamos à noite.

Depois vieram outros passeios. Com um grupo de Francino, com um grupo de Rosali, com Jorge. Descobri que havia o caminho da Pedra do Rodeadouro e descobri que havia a curiosa vila de Serro Azul. Com Jorge, foi um excelente passeio, e diferente, pois saímos pedalando de Recife até Bonito em uma sexta-feira. Ficamos no mesmo Bonito Plaza, jogamos muito ping-pong. No sábado, fizemos a rota, passando pelo Rodeadouro, Serro Azul, Barra Azul, Poço Redondo e Véu da Noiva. De tarde, no hotel, mais ping-pong. Perdi quase todas as partidas, Jorge era craque. No domingo, voltamos pedalando para Recife. Uma maratona.

Por fim, para encerrar essa memória, fui procurar algo sobre a diferença entre morro, montanha, essas coisas. De fato, cada grupo de autores pode até adotar sua própria classificação, mas aprendi alguns conceitos. Altitude é a medida tomada em relação ao nível do mar. Altura de uma montanha é a medida tomada em relação à base da elevação (o platô). Por exemplo, em Bonito, a altitude máxima a que chegamos foi 829 metros, de acordo com o gps. A altura, eu não sei, isso é para geógrafos. Se considerarmos que a cidade de Bonito seja o platô, e ela está a 424 metros de altitude, então a altura da montanha que subimos era de 405 metros.

Aprendi, ainda, que montanhas são elevações com altura superior a 300 metros (em relação à base, naturalmente). Abaixo disso, temos colinas e morros. Portanto, nós subimos uma montanha de verdade. No caso, uma montanha baixa, altura entre 300 e 1000 metros. Já uma montanha média tem altura entre 1000 e 3000 metros. Uma montanha alta tem altura superior a 3000 metros. Observe-se, reitero, que há divergências quanto a essas classificações.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s