Pra quê essa correria? (Trilha em Aldeia)

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No sábado, 13, acordei às quatro e quarenta, café, banho, roupa, e fui para a praça encontrar Feijó e Antonio para pedalarmos. Cheguei primeiro. Logo depois chegou um rapaz forte, Júlio, nos cumprimentamos e ele lançava olhares enviesados para a minha bicicleta. Como minha bicicleta não é dessas poderosas, penso que era o típico olhar de crítica e menosprezo. Captei desde esse início que essa não seria uma boa pedalada. Gente que valoriza bicicleta cara não é o meu grupo.

Chegaram Antonio e Feijó e saímos. Já forçaram o ritmo de saída. Também não faz minha cabeça. Gosto de começar lentamente e ir esquentando. Mas acompanhei o ritmo, não gosto, mas dava para acompanhar. Seguimos por dentro do Sítio dos Pintos e começamos a subida de Aldeia pelo asfalto. Eu pensava que eles iam me deixar para trás, pois prefiro subir lentamente, mas o ritmo deles foi o mesmo que o meu, eles diminuíram na subida. Continuamos até o km 9,5 da Estrada de Aldeia e paramos na padaria. Estava fechada e a maior parte do pessoal que iria pedalar não havia chegado. Outro ponto negativo, pois fiquei muito tempo, uma hora?, esperando até que todos comessem e estivessem prontos.

Saímos e o ritmo foi forte todo o tempo. Pedalamos pelo asfalto, entramos por um estradão à direita da Estrada de Aldeia, seguimos muitos quilômetros, entramos por uma mata, um single track em descida, uma subida forte, subi quase tudo exceto um pequeno trecho que não deu tração. Penso que poucos conseguiram passar esse trecho. Subida forte e cheia de moscas e mosquitos que nos perseguiam. Cheiro ruim. No topo da subida, uma granja, fedor terrível de merda de galinha e sei-lá-mais-o-quê. Continuamos por estradão. Entramos por uma estradinha que contorna uma mata, há muitas desse tipo na região. Alguém nos guiou para uma descida pela mata, mas foi engano, não havia saída quando chegamos lá embaixo, mata fechada. Subimos de volta. Depois disso, longo estradão em ritmo forte, muito forte, até Chã de Cruz. Alguns trechos de areia fofa fizeram com que eu me distanciasse do grupo que seguia na frente. Todo o tempo estive na frente, mas me distanciei com a areia fofa, fiquei no meio, acho, isolado.

Alguém do grupo de trás me alcançou, perguntei se havia ainda alguém atrás, ele respondeu que muitos estavam para trás. Não lembro bem como foi, mas voltei a me aproximar do grupo da frente. Alguns pararam nas primeiras partes habitadas de Chã de Cruz, eu segui com o líder do grupo, Murilo, e alguns poucos. Ele parou no centro da vila, em uma lanchonete. Comprei refrigerantes e água e uma queijadinha. Eram onze horas. Murilo disse que iria descer para o Bar do Brejo. Eu já estava decidido a não descer. Seguiria pelo asfalto e voltaria para casa, mesmo que Antonio e Feijó ficassem. Eram onze horas e calculei que levaria ainda uma hora e meia para chegar em casa. Faltavam trinta quilômetros. Os dois colegas chegaram e eles também iriam voltar direto. Saímos na frente, o grupo era desonerado, como dizia minha mãe das coisas desunidas, liquefeitas, degeneradas. Saímos em cinco e um rapaz que eu não conheço teve câimbras nas coxas, paramos, Murilo chegou e disse que iria buscar o carro e voltaria. Deixamos o rapaz descansando em uma parada de ônibus e seguimos.

O ritmo de Feijó era forte, desagradável para mim, eu estava cansado também, seguíamos eu, Feijó e Júlio, mas percebi que Antonio ficava para trás, avisei a Feijó, mas ele não diminuiu, então fiquei para trás e segui junto com Antonio. Um pequeno engarrafamento causado por um bloquinho pós-carnaval.

Senti que ia ter câimbras, também, parei e modifiquei a altura da sela, que é o método recomendado para evitar a câimbra quando ela está começando. Pedalei novamente e a sensação foi passando. Não estava normal, cem por cento, mas foi uma recuperação excelente, no estado em que eu estava, cansado e aborrecido. Entramos pela Estrada dos Macacos e Sítio dos Pintos. Em Apipucos, eu disse aos colegas que podiam seguir mais rápido, pois eu iria por dentro, mais devagar. Feijó insistiu em seguirmos juntos e fui. Júlio entrou para o Poço da Panela sem se despedir, deselegante. Passamos na frente da casa de Antonio, nos despedimos, seguimos eu e Feijó e nos separamos na Rua do Futuro.

Em casa, deitei no chão do quarto com o ventilador soprando em cima de mim.

Pedalamos cem quilômetros, com velocidade média de 21 km/h, alta para uma trilha. Não gostei do pedal por conta do ritmo. Não compreendo a motivação de fazer tudo em correria. Não dava tempo nem mesmo de conversar com algum dos ciclistas. Era correr e correr. Não dava tempo de olhar a paisagem ou de fazer fotografias. Povo maluco. Grupo desunido, cada um por si. As partes boas foram o trecho por dentro do Sítio dos Pintos, na ida, que eu não lembrava, e o trecho dentro da mata com a subida logo após, apesar do fedor e das moscas da granja.

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